Introdução dos alimentos na dieta do bebê: passo a passo

Por: Bruna Romanini

Foto: Getty Images

Saiba quando introduzir os alimentos na dieta do bebê, cuidados ao preparar as papinhas e muito mais

Como deve ser a primeira papa que vou introduzir na alimentação do bebê? O quanto oferecer? E depois, quais oferecer as outras papas? A seguir, elaboramos um guia definitivo da introdução dos alimentos na dieta do bebê que responde essas e muitas outras questões. Confira:

Quando introduzir

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A introdução dos alimentos além do leite materno ou da fórmula deve ser realizada a partir do 6º mês de vida do bebê. “Neste período as necessidades de energia, proteína, ferro, zinco e vitaminas como A e D estão aumentando e o leite materno sozinho não consegue suprir mais estas necessidades”, afirma a nutricionista Daniela Medrano, do Evove Berçário e Colégio Infantil.

É importante que os alimentos não sejam introduzidos antes do 6º mês de vida do bebê, Antes do 4º mês de vida, a introdução dos alimentos é especialmente grave. “Isto porque a criança nesta idade ainda não tem o reflexo motor compatível para deglutição de forma correta e ainda não desenvolveu a sustentação de pescoço e cabeça necessárias, pode apresentar alergia e apresenta risco maior de desenvolver obesidade. Além disso, a partir do 6° mês o bebê já produz enzimas digestivas importantes para esse processo, além das necessidades de nutrientes estarem aumentadas, fazendo-se imprescindível esta introdução”, conta Daniela Medrano.

A primeira papa

O primeiro alimento do seu bebê pode ser oferecido no horário do lanche da manhã. “Assim, no desjejum, o bebê faz sua mamada matinal e cerca de 3 a 4 horas depois, já pode ser oferecido seu primeiro alimento”, conta Daniela Medrano.

Este primeiro alimento pode ser uma fruta bem amassadinha (papa de fruta) ou mesmo um legume ou cereal cozidos, sem sal, bem amolecidos picadinhos e amassados (papa salgada). A quantidade deve ser pequena, cerca de duas colheres de chá. “O bebê tem livre demanda para experimentar o alimento. Como ele ainda não o conhece e a quantidade oferecida é e deve ser pequena neste primeiro momento, torna-se ainda necessária a complementação desta refeição com leite materno ou fórmula infantil”, diz Daniela Medrano.

Introduzir a papa de fruta primeiro pode ser uma boa ideia, pois por ser mais adocicada pode facilitar a aceitação do bebê. “Entretanto, se pensarmos em introduzir a papa salgada primeiramente para adequar este paladar e depois a de fruta já que possui mais fácil adaptação, pode também ser uma opção. Bebês amamentados ao seio geralmente se adaptam melhor aos sabores diversos dos alimentos, uma vez que o leite materno nem sempre possui o mesmo sabor, diferente das fórmulas infantis”, observa Daniela Medrano.

O ideal é que essas primeiras papas tenham apenas um alimento. Pode ser uma fruta ou um legume amassado no garfo, sem a necessidade de liquidificar ou peneirar. “O ideal é introduzir um único alimento novo de cada vez, esperar no mínimo de 2 a 3 dias para oferecer um novo alimento, dando tempo para observar uma possível reação alérgica, caso aconteça”, destaca Daniela Medrano.

As papas seguintes

O processo de introdução dos alimentos deve ser feito de forma lenta e gradual, respeitando o desenvolvimento e aceitação do bebê. No início o alimento é oferecido apenas uma vez ao dia e complementa-se com o peito ou fórmula infantil. “Espera-se no mínimo 2 a 3 dias até a inserção de um novo alimento, a fim de observar sua tolerância e se possui algum sinal de alergia”, conta Daniela Medrano.

No 6º mês a criança irá ingerir uma papa de fruta, uma salgada e o leite materno ou fórmula. A partir do 7º mês até os 11 meses, a criança amamentada estará recebendo três refeições com alimentos complementares ao dia (duas papas principais e uma de frutas).

A criança que não estiver em aleitamento materno corre maior risco nutricional, portanto é recomendado que receba com maior frequência alimentos complementares, com cinco refeições (duas papas principais e três de leite, além das frutas).

O preparo das papas

Com o avançar de cada alimento novo introduzido, apenas um por vez e bem aceito a cada dois dias pelo menos, podemos montar a papa salgada com os seguintes grupos de alimentos bem tolerados em quantidades pequenas como: um legume, uma verdura, um cereal e o caldo de carne inicialmente, depois a carne muito branda e triturada ou se a criança for vegetariana estrita, pode-se realizar antecipadamente a introdução de uma porção de leguminosa a fim de se obter uma proteína completa. “Lembrando-se que para tal, é necessária a suplementação de outros nutrientes, como a vitamina B12, por exemplo, e recomenda-se o acompanhamento com nutricionista”, diz Daniela Medrano.

Lembre-se que tudo deve ser realizado conforme aceitação da criança, sem forçar quantidade. “Todos os alimentos devem ser oferecidos numa consistência rala, mas não liquidificados ou peneirados, além de manterem uma temperatura amena para o bebê”, conta Daniela Medrano.

O ovo (clara e gema) deve ser introduzido aos 6 meses, lembrando que frequentemente as mães oferecem para as crianças alimentos que já possuem ovo na sua composição, por isso não seria necessário retardar a sua introdução.

As papas de frutas devem contar com a fruta in natura e amassada. Até o primeiro ano de vida a papa salgada deve ser isenta de sal e a de frutas isenta de açúcar. Com a boa aceitação da criança, pode-se aos poucos introduzir as ervas frescas para agregar mais saúde e sabor a refeição dos pequenos.

A higiene dos alimentos

Frutas e verduras devem ser lavadas em água corrente e colocados em imersão em água com hipoclorito de sódio a 2,5% por 15 minutos (20 gotas de hipoclorito para um litro de água). Para reduzir o risco de contaminação dos alimentos por agrotóxicos, preconiza-se a utilização de bicarbonato de sódio a 1% (imergir as frutas e verduras por 20 minutos em solução de uma colher de sopa para 1 litro de água).

A alimentação após os 9 meses

Em torno dos 9 aos 11 meses a criança pode começar a transição das papas para os alimentos em pequenos pedaços e, aos 12 meses, na mesma consistência com que são consumidos pela família. Nesse momento, cabe ao pediatra avaliar a qualidade dos alimentos consumidos pela família.

Cuidados especiais ao introduzir os alimentos na dieta do bebê

É importante sempre observar a tolerância do bebê aos alimentos e não forçá-lo a comer mais do que quer. Outro ponto essencial é variar nos alimentos contidos nas papas. “Atenção aos utensílios a serem utilizados, de preferência de aço inox, pois não liberam alumínio nas preparações. Sempre que possível utilize o alimento orgânico”, destaca Daniela Medrano.

Veja como introduzir a água na alimentação dos bebês aqui. 

Material consultado:

Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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