Método BLW: a introdução dos alimentos para o bebê sem papinhas

Por: Bruna Romanini

Foto: Getty Images

Entenda o que é o método BLW (Baby-ledWeaning) e veja se ele é uma boa opção para os bebês

O método BLW (Baby-ledWeaning) tem sido cada vez mais usado para a introdução dos alimentos na dieta do bebê. “A tradução do inglês significa o desmame guiado pelo bebê. Consiste em oferecer a comida em pedações e deixar que a criança coma sozinha”, explica a pediatra Virginia Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Então, no método BLW, a partir dos seis meses de vida, ao invés de começar com as papinhas, o bebê come junto com os pais. Aos papais cabe apenas colocar os alimentos cortados em um pratinho e o bebê irá se servir do que quiser e o quanto desejar.

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Os defensores do método BLW afirmam que ele contribui para a prevenção da obesidade infantil, pois o bebê pega realmente o quanto quer, e que também permite que o bebê conheça cada um dos alimentos, e seus respectivos sabores, separadamente.

Porém, muitos especialistas discordam destes benefícios. Para a pediatra Virginia Weffort, oferecer alimentos em pedaços aos bebês já nos seis meses de vida pode causar problemas de saúde. “A criança de 6 meses está em amadurecimento de suas funções neuromotoras, digestórias e renais. Exemplos de alterações que podem ocorrer: Ao oferecer o alimento cru muitas vezes o processo de digestão do alimento pode não ser completo e esse ser eliminado intacto pelas fezes; A criança pode engasgar; Ao oferecer só o alimento para a criança pegar, ela pode se cansar, demorar muito para comer e não ser suficiente para sua nutrição”, alerta Virginia Weffort.

Por essas razões, a pediatra Virginia Weffort acredita que o melhor caminho é a introdução alimentar clássica, por meio das papinhas. “A criança precisa dos nutrientes de todos os grupos alimentares, desde sua primeira papa. Precisa do carboidrato presente nos cereais e tubérculos; da proteína animal (carnes, vísceras e ovo); da proteína vegetal (feijão, soja, lentilha, etc); e das hortaliças (verduras, folhas) e legumes (cenoura, abobrinha). Estas papas só devem se iniciar aos 6 meses para que a criança receba o leite materno exclusivamente até esta idade. Após os 6 meses é necessário a alimentação complementar ao leite materno, não queremos desmamar, mas também a criança não pode ficar só com o leite. É importante ter os horários para as refeições e para o leite materno”, conta Virginia Weffort.

Além disso, oferecer a papinha ao bebê não vai tirar do pequeno a experiência de conhecer individualmente o sabor de cada alimento. “O que pode ser realizado é oferecer a papinha e deixar que a criança pegue os pedaços no prato para conhecer a textura do alimento. E fazer a papa não significa que vai misturar todos os alimentos. Os alimentos são cozidos junto, mas no prato dá para separar cada um e dar para a criança conhecer o sabor. Muitos estão com conceito errado sobre a papa. Entre 7 e 8 meses os alimentos podem ficar com pedaços um pouco maiores e aos 10 meses é que ficarão na consistência da alimentação da família, porque é nesta época que a criança terá mais dentes para poder triturar o alimento, permitindo sua digestão com absorção dos nutrientes necessários para seu crescimento”, conclui Virginia Weffort.

Conheça o passo a passo para introduzir alimentos na dieta do bebê aqui.

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