“Esqueci minha bebê no carro e TODOS pais precisam saber qual foi meu erro”

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução

A mãe Jodie nunca achou que poderia esquecer um de seus filhos no carro, até que ela esqueceu

A mãe de duas crianças e professora universitária Jodie Edwards jamais pensou que poderia esquecer algum de seus filhos dentro do carro, até que ela esqueceu. A seguir, veja o emocionante depoimento que Jodie deu a ONG Kids and Cars sobre o dia em que ela esqueceu sua bebê Jenna dentro do carro, o que levou ao falecimento da pequena, e veja o importante alerta que Jodie dá a todos os pais:

“Desde a morte da minha filha em 2008, não se passa um único dia (ou mesmo uma única hora) em que eu não pense nela ou na morte dela. A dor de ter perdido minha filha continua e levei muito tempo para conseguir escrever sobre o que aconteceu. Minha esperança é que ao contar minha história outros pais percebam que a única maneira de evitar esquecer um bebê dentro do carro é acreditar que isso pode sim acontecer com você.

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Eu e meu marido ficamos casados por 10 anos até decidirmos ter filhos. Nós esperamos todo esse tempo para que eu pudesse terminar meu doutorado e ter mais tempo para me dedicar a maternidade. Antes do meu primeiro filho nascer, eu li todo os livros sobre maternidade possíveis. Ser mãe sempre foi a responsabilidade mais importante para mim. A família sempre foi minha prioridade.

Eu sou e sempre fui uma pessoa muito organizada e extremamente preocupada com a segurança dos meus filhos. Eu sempre levei a segurança dos meus filhos muito a sério e assim que meu primeiro filho nasceu fiz questão de deixar a casa o mais segura possível para ele. Claro que assim como as outras mães, eu não era uma mãe perfeita, mas definitivamente era uma mãe muito dedicada e amorosa.

Na hora de comprar a cadeirinha para auto dos meus bebês eu fiz uma imensa pesquisa até escolher o melhor modelo. Na hora de escolher o pediatra, entrevistei muitos profissionais antes de decidir qual cuidaria do meu filho. E eu NUNCA deixava meus filhos sozinhos no carro, nem mesmo por um minuto. Eu me lembro de uma vez em que já tinha colocado minha filha na cadeirinha para sairmos e esqueci o celular na cozinha, mesmo nesse caso, eu levei minha filha comigo para buscar o celular.

Eu sabia que meu trabalho como mãe era proteger meus filhos dos perigos desse mundo. Mas nunca, em um milhão de anos, eu pensei que teria que proteger meus filhos de mim. Na realidade, quando estava grávida da minha Jenna, eu vi na televisão a notícia de uma mãe que esqueceu o filho na cadeirinha dentro do carro. Esta mãe foi apresentada como uma mãe terrível e foi muito julgada. Lembro-me de ter ficado triste com esta notícia, mas JAMAIS pensei que esquecer o bebê na cadeirinha era algo que eu pudesse fazer. Eu sequer parei para realmente ouvir a história ou pensar como isso poderia ter ocorrido. Afinal, meus filhos eram minha prioridade. Eu os amava mais do que tudo. Daria minha vida por eles sem pensar. O amor imenso que eu sentia por eles me protegeria de uma tragédia tão horrível quanto essa…ou era o que eu pensava.

Minha filha Jenna nasceu em 2007, quando meu filho mais velho tinha dois anos. Ela nasceu alguns meses depois de eu ter começado meu trabalho como uma professora universitária. Nós estávamos tão felizes e satisfeitos. Jenna era uma bebê muito linda e feliz. E eu amava ser mãe.

Um dos motivos por eu ter decidido pela carreira acadêmica era porque ela me permitia maior flexibilidade nos horários e assim poderia ficar mais com meus filhos.

A mudança na rotina e a tragédia

A semana em que Jenna morreu foi a primeira da nossa nova rotina. Durante todo o verão, antes de ir trabalhar eu levava meus dois filhos para ficarem com a mesma babá. Agora, meu filho iria começar a ficar na escolinha e a Jenna ficaria com a babá. Então, no dia em que Jenna morreu, eu precisava levar meu filho na escolinha e depois levar Jenna para a babá.

Era uma quarta-feira, no dia 20 de agosto de 2008, Jenna tinha quase 11 meses. Eu levei primeiro meu filho para a escolinha. Lembro-me de eu e Jenna termos brincado com meu filho por cerca de 20 minutos antes de deixa-lo na escolinha. Meu filho tinha chorado na segunda-feira e na terça-feira em que o deixei na escolinha, mas na quarta-feira ela ficou muito bem e não chorou.

Eu coloquei Jenna de volta no carro e seguimos para a babá. E depois eu iria para o meu trabalho. Eu estava completamente concentrada no caminho, sequer estava com o rádio ligado. Eu também olhava sempre para minha filha com aquele espelhinho que permite ver as crianças atrás.

Eu estava conversando e falando com Jenna, queria que ela ficasse acordada até chegar na babá. Mas ela acabou dormindo. Quando vi que ela estava dormindo, eu comecei a pensar em como iria tirá-la da cadeirinha e coloca-la na casa da babá sem acordá-la. Eu comecei a visualizar exatamente como faria isso.

E de repente, de algum jeito, eu sei que é difícil entender, mas é como se meu cérebro tivesse virado um interruptor e eu tinha certeza que já havia deixado Jenna com a babá e segui para o trabalho.  Então, como eu estava certa de que Jenna estava segura com a babá. Eu comecei a pensar nas coisas que tinha que fazer quando chegasse no trabalho.

Eu não sou uma especialista em como o cérebro funciona, mas desde que aconteceu isso com a minha filha, eu me informei um pouco mais sobre como o cérebro processa a rotina. Eu aprendi que a parte do cérebro que controla comportamentos de rotina (no caso deixar meus dois filhos em apenas um lugar) pode substituir a parte do cérebro que controla novos comportamentos (que no meu caso era levar cada um dos meus filhos para um lugar diferente). A mudança na rotina mais a visualização detalhada que fiz em minha cabeça sobre como deixaria minha filha na babá foi o suficiente para que eu tivesse certeza que já havia deixado minha filha na babá e seguisse normalmente para o trabalho.

Então, eu cheguei no trabalho. Parei meu carro no estacionamento, peguei minha bolsa que estava no banco da frente e fui trabalhar confiante de que havia feito tudo certo. Meu coração fica partido em pensar que eu tive um dia de trabalho normal, sem saber que minha filha estava perdendo a vida.

Uma das coisas mais duras que um estranho já me falou foi: “como você não pensou na sua filha durante o dia? Como você pode esquecer a sua filha?”. Mas na minha mente eu não havia me esquecido dela. Eu achei que ela estava em segurança com a babá. 20 minutos após eu ter chegado no trabalho eu até mandei um email para uma colega e neste email eu escrevi um parágrafo inteiro sobre a Jenna. Também deixei meu celular comigo o tempo todo, pois às vezes quando Jenna ficava doente a babá me ligava. Eu pensei nos meus filhos o dia inteiro.

Por volta das 16:00, eu voltei para o meu carro para ir buscar meus filhos e voltar para casa. Foi quando eu vi minha filha dentro do carro. Eu senti pânico e terror, lembro-me de ter ligado para os bombeiros, mas estava claro que minha filha havia morrido. Eu estava tão confusa. Eu não sabia quem tinha colocado minha filha lá. Foi quando eu tentei me lembrar de ter levado minha filha até a babá e eu não consegui me recordar desse momento. Então, eu percebi que havia cometido o maior erro de toda a minha vida.

É impossível falar sobre a dor que eu senti naquele momento. Eu queria morrer e sentia que de fato eu iria morrer. Eu mal conseguia falar e tive que me deitar porque não tinha forças para ficar em pé. Queria que a terra se abrisse e me engolisse. Eu não conseguia nem chorar ou gritar, mas por dentro estava muito atormentada.

Minha vida feliz e tranquila de repente se transformou em um pesadelo pior do que eu poderia imaginar. Fui muito julgada pela mídia e pela sociedade, mas nada se comparava a dor que eu sentia por ter perdido minha filha. Eu sinto saudades da minha bebê com uma intensidade que só um pai ou mãe que perdeu um filho poderia sentir.

Eu só consegui seguir em frente por causa do imenso amor de Deus, da minha família e amigos e porque sei que Jenna está bem no céu.

Como evitar esta tragédia

Pais e mães, por favor, não cometam o mesmo erro que eu. Percebam que isso pode acontecer sim com vocês. O único jeito de prevenir esta tragédia é checar o banco de trás do seu carro TODA vez que você for sair do veículo. Sempre coloque algo que você precisa, como a bolsa ou carteira, no banco de trás do carro. E faça um acordo com a babá ou qualquer outro cuidador do seu filho para que ele te ligue caso você não tenha deixado seu filho com ele conforme combinado. Eu vou além, e hoje em dia eu faço o seguinte: eu coloco um bracelete bem colorido e chamativo em meu braço sempre que coloco meu filho na cadeirinha e só tiro esse bracelete quando eu tiver deixado meu pequeno no local combinado. Eu falei com dezenas de famílias que passaram pelo mesmo que eu. Isto acontece com pais amorosos e muito bons. O que todos esses pais têm em comum é que nenhum de nós percebeu que nosso amor não era o suficiente para proteger nossos filhos de nossos cérebros imperfeitos”.

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