Cólicas na gravidez: causas e quando são graves

Por: Bruna Romanini

Foto: Getty Images

Entenda por que as cólicas na gravidez ocorrem, veja quando elas são perigosas e como aliviá-las

As cólicas na gravidez podem acontecer e até certo ponto são consideradas normais. “No início da gestação elas ocorrem porque a placenta em formação libera hormônios que vão atuar nos ovários da mulher para impedir o desprendimento do endométrio, material que sai na menstruação em forma de sangramento e que é o local onde o bebê se fixa para crescer”, explica o ginecologista obstetra Jurandir Piassi Passos, especialista em medicina fetal do Lavosier Medicina Diagnóstica.

Essa ação hormonal pode não ser tão efetiva a ponto de relaxar totalmente o útero ou o próprio útero, tendo uma complacência menor ao crescimento proporcionado pela gestação, pode desencadear uma resposta da musculatura uterina que é a contração, percebida pela mulher na forma de cólica. “Normalmente são cólicas esporádicas e de leve intensidade. O que não pode ocorrer é a intensificação das cólicas e o aumento de sua frequência. Se isso ocorrer a gestante deve procurar o mais rápido possível avaliação médica, pois isso pode ser um sinal de risco de aborto”, alerta Passos.

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As cólicas ao longo da gravidez acontecem porque o útero é um órgão muscular e isso predispõe a ocorrência de atividades de contração durante toda a gravidez. “Esforços físicos e movimentações do próprio feto podem levar a estímulos uterinos que culminem com uma contração. Além disso, o próprio útero apresenta contrações esporádicas, mesmo com a mulher em repouso e o feto quieto. São as chamadas contrações de Braxton-Hicks que ocorrem durante toda a gravidez, mas que vão se intensificando e sendo percebidas com mais frequência ao final da gestação. Portanto, a gravidez não é uma fase em que a mulher fica assintomática. Pequenas cólicas e pequenas pontadas de vez em quando são normais na gestação”, diz Passos.

Como diminuir as cólicas e quando elas são preocupantes

Caso as cólicas sejam esporádicas e de pequena intensidade, a orientação é que a gestante reduza suas atividades ou repouse até que elas desapareçam. Evitar atividades sexuais nesta fase também é interessante. “Porém, se as cólicas começarem a se tornar mais frequentes e intensas, ela deve procurar atendimento médico o mais cedo possível. Outra questão comum é a mulher confundir a cólica intestinal, devido ao intestino preso e aumento de gases, com a cólica uterina. De qualquer forma, na dúvida, sempre é melhor passar por avaliação médica. O mesmo pode-se dizer da cólica renal. A avaliação médica se faz necessária para a diferenciação destes quadros”, explica Passos.

Diante de uma cólica mais intensa, pode ser necessário o uso de medicação. “Também é importante a pesquisa de outras causas para a cólica, como infecção urinária. Para isso se faz necessário a avaliação em serviço especializado, com realização de exames subsidiários e, em alguns casos, com internação para tratamento mais efetivo”, afirma Passos.

No início da gravidez as cólicas mais intensas podem ser sinais de ameaça de abortamento e no 2º e 3º trimestres representam risco para parto prematuro. “Existem várias causas que podem levar à piora das contrações: malformações uterinas que levam a menor complacência e capacidade de se adaptar ao crescimento fetal, disfunções placentárias com diminuição da produção dos hormônios que mantém a gestação, infecções urinárias, doenças maternas como o hipotireoidismo, entre outras”, conta Passos.

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