Fabíola do vôlei conta como concilia as Olimpíadas e sua bebê de 3 meses

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução Estadão

Veja como Fabíola lutou para conseguir ter um parto normal e se recuperar a tempo das Olímpiadas

Cuidar de um bebê não é nada fácil. Brigar por uma medalha nas Olimpíadas também está longe de ser algo simples. Agora, imagina fazer essas duas coisas AO MESMO TEMPO! É isso que está ocorrendo com a mamãe e levantadora da seleção brasileira de vôlei, Fabíola Alves.

Fabíola foi convocada para defender o Brasil nas Olimpíadas em abril, quando ainda estava grávida. Antes disso, ela havia tido uma conversa com o técnico Zé Roberto. “Ele me perguntou se eu acreditava que era possível retornar em pouco tempo! Eu disse para ele que sim”, contou a levantadora em entrevista ao Jornal Nacional.

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O parto normal

O parto normal proporciona uma série de benefícios para a mãe e o bebê, como ajudar o pequeno a respirar melhor, diminuir os riscos de infecção tanto no bebê quanto na mãe e contribuir para a rápida recuperação da mãe. E justamente por este último benefício, era essencial que Fabíola tivesse um parto normal para que pudesse se preparar a tempo para as Olimpíadas. “É necessário que seja um parto normal para que ela tenha tempo hábil para o treinamento”, disse o técnico Zé Roberto na coletiva de imprensa em que convocou Fabíola.

Por isso, Fabíola, que teve sua primeira filha, Andressa, há dez anos de parto normal, passou a se preparar de todas as formas possíveis para que seu parto fosse o mais natural possível. “Já fazia academia, mas passei também com o pilates de segunda e quinta-feira, isso de manhã. A tarde descanso”, contou Fabíola em entrevista à Marie Claire.

Todos os esforços de Fabíola deram certo e a pequena Annah Vitória veio ao mundo no dia 19 de maio por meio de um parto normal. “Foi muito mais difícil. Totalmente diferente. Na Andressa, fiquei o dia inteiro no trabalho de dilatação, mas o fim foi rápido. Com a Annah Vitória, não. Dilatou muito rápido. Mas o trabalho para ela nascer foi muito cansativo, quatro horas fazendo força. Foi desgastante. Acho que vou ficar só com duas mesmo (risos). Depois de quatro horas, já não tinha mais força, não aguentava mais. Chegou um momento que eu pedi ao médico: “Puxa ela, não estou mais aguentando”. Em nenhum momento eu pensei em cesárea. Eu não sabia do tempo que estava lá. Só queria que ela nascesse. Eu sabia que ela estava perto, mas não tinha mais força. Aí a enfermeira chegou ao meu ouvido e disse: ‘Fabíola, só mais um pouquinho. Chama Deus’. Aí veio a força final. Não tomei remédio, soro, nada. E ela nasceu. Fico grata que tudo ocorreu bem, dentro do que tinha preparado. Mas foi uma vitória”, disse Fabíola em entrevista ao Globo Esporte.

Treinos, mamadas e noites mal dormidas 

Fabíola retomou os treinos 30 dias após o nascimento de Annah Vitória. E para este retorno contou com o apoio de pelo menos nove pessoas. Além de uma série de treinadores que a ajudaram na recuperação, seu pai e a enfermeira Eliane, que a acompanhou durante toda a gestação, revezaram os cuidados com Annah Vitória, que ficava assistindo aos treinos da mamãe.

Entre um saque e outro, Fabíola fazia pausas para amamentar Annah Vitória. Esta preparação antes das Olimpíadas foi intensa. Eram duas horas de exercícios na academia e uma hora de treino com bola na parte da manhã. À tarde, ela se preparava junto com a seleção feminina Sub-23. As folgas eram escassas.

Além disso, Fabíola ainda teve que lidar com um problema que os papais e mamães de bebês conhecem bem, as noites mal dormidas. “Com recém-nascido é assim mesmo. Acho que depois dos três meses vai dar uma melhorada, mas ela (Annah Vitória) é muito boazinha. Tem dias que ela tem um pouco mais de cólica e eu durmo um pouco menos, mas tudo vale. O sacrifício vale”, disse Fabíola para o Estadão na época em que se preparava para as Olimpíadas.

Todo o esforço valeu a pena. Fabíola conseguiu estar pronta para defender o Brasil nas Olímpiadas e ainda amamentar e estar pertinho da pequena Annah Vitória. “São dois sonhos se realizando: ser mãe pela segunda vez e defender o Brasil nas Olimpíadas”, contou Fabíola em entrevista à Marie Claire.

As Olimpíadas e a distância

Chegar até as Olimpíadas foi uma grande alegria para Fabíola, mas também teve um momento muito difícil. Fabíola deixou as filhas com seus pais para que pudesse se concentrar 100% nas Olimpíadas. “Vivi intensamente esse período para que ela nascesse de parto normal, que tudo fosse tranquilo. E nesse momento estamos focadas aqui. Foi difícil deixar as duas em casa. Mas sei que tudo valeu a pena e vai valer ainda mais. Agora vamos nos ver só no final. Preferi que elas fiquem lá”, disse a levantadora em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Nesses dias das Olímpiadas Fabíola não irá amamentar a filha. “Esperei muito por esse momento e optei por deixa-las com meus pais para ficar concentrada na Olimpíada. Nesses dias, não vou amamentar, vou ficar tirando (o leite)”, explicou em entrevista ao UOL.

Estamos na torcida para que no final das Olimpíadas esta mamãe guerreira reencontre sua bebê com um peito cheio de leite e uma linda medalha!

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