Pós-parto: erros mais comuns que afetam a saúde da mulher

Por: Bruna Romanini

Foto: Getty Images

Carregar peso, não descansar, dar de mamar na postura errada, entre outras atitudes afetam a saúde da mulher no pós-parto

Algumas atitudes comuns não são orientadas para a mulher no pós-parto, pois favorecem problemas de saúde graves. Veja quais são elas:

Carregar peso

Cadastre-se

Carregar peso após o parto não é orientado. “A passagem do nenê pelo canal de parto, tenha sido realizada ou não a episiotomia, leva a distensão dos ligamentos e musculatura do períneo da mulher e que, se mantido uma pressão mais frequente nessa região pela mulher ao carregar peso, o retorno desses elementos ao que era antes do parto fica prejudicado. Esse prejuízo é ainda maior quando foi realizada a episiotomia, pois é um corte que precisa cicatrizar”, conta o ginecologista obstetra Jurandir Passos, ginecologista e obstetra do Delboni Medicina. Já no caso do parto cesárea, carregar peso vai trazer um pouco mais de desconforto por forçar a cicatriz.

Não descansar

É essencial que a mãe tente descansar no período do pós-parto. “Em primeiro lugar para auxiliar na cicatrização e recuperação do canal de parto. Segundo, a mulher que descansa pouco acaba ficando mais estressada e isso pode ter influência na produção de leite, diminuindo sua quantidade”, observa Jurandir Passos.

Outra questão é que esse estresse, por pouco descanso, pode também influenciar no humor da mulher desencadeando quadros de baby blues materno, ou até mesmo a depressão pós-parto. Veja dicas de como descansar no pós-parto aqui. 

Não prestar atenção às suas emoções

Muitos especialistas consideram o pós-parto um momento delicado e suscetível ao surgimento de perturbações de humor no país. “A depressão pós-parto tem incidência de 50% das parturientes e se apresenta com três tipos de perturbação de humor: a tristeza materna (blues pós-parto), a depressão pós-parto e a psicose pós-parto”, diz Jurandir Passos.

Vale lembrar que a maior parte destas depressões são leves e começam nos primeiros dias após o parto (dois a cinco dias), dura de alguns dias a poucas semanas e não requer em geral uso de medicações. “Ela é caracterizada basicamente pelo sentimento de tristeza e o choro fácil que não impedem a realização das tarefas de mãe”, afirma Jurandir Passos.

Nos casos mais severos, segundo a American Psychiatric Association‖ no Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais – DSM-IV, a depressão pós-parto caracteriza-se por iniciar-se nos 6 primeiros meses após o parto, ter duração mínima de 2 semanas. “A mulher sente seu humor deprimido ou perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades, associado a alterações no apetite ou peso, sono e atividade psicomotora; diminuição da energia; sentimentos de desvalorização ou culpa; dificuldades em pensar, concentrar-se ou tomar decisões, ou pensamentos recorrentes sobre morte ou ideação suicida, planos ou tentativa de suicídio”, conta Jurandir Passos.

Estando os critérios de episódio depressivo confirmados, deve ser iniciado o tratamento com a utilização de antidepressivos e terapia de apoio.  “Discute-se na literatura médica a questão da amamentação pelas pacientes que fazem uso de antidepressivos, mais especificamente os chamados antidepressivos tricíclicos, porém sem uma conclusão sobre essa questão”, afirma Jurandir Passos.

Não beber água na frequência certa

O leite materno, em sua formulação, apresenta uma grande quantidade de água necessária para a hidratação do bebê. Porém, para que haja essa oferta de leite a glândula mamária retira da circulação materna a água necessária para a formação do leite. “Se a gestante ingere pouca água, a perda pelo leite vai fazer com que o que seria filtrado pelos rins ou eliminado nas fezes se torne menor, levando assim a uma concentração maior da urina, maior tempo de intervalo entre os xixis e, portanto, maior risco de infecção urinária na mãe”, explica Jurandir Passos.

Beber pouca água também leva ao ressecamento das fezes o que pode levar a quadros de hemorroidas ou fissuras anais.

Realizar uma dieta maluca

As dietas malucas não são orientadas em qualquer período da vida, porém, no pós-parto elas são especialmente preocupantes. “Isto porque algumas dietas retiram alimentos muito importantes para a nutrição do bebê e que podem levar a carências importantes tanto para a mãe quanto para o bebê. A dieta durante a amamentação tem que abranger fontes de proteínas, carboidratos, lipídios sais minerais e vitaminas”, observa Jurandir Passos. Veja dicas de como realizar uma dieta saudável no pós-parto aqui.

Tomar banho de banheira ou outras imersões

No período do pós-parto, a secreção vaginal que sai, conhecida como lóquio, é rica em sangue e proteínas, substâncias que favorecem a proliferação de bactérias. “O banho de imersão facilita a entrada de bactérias na vagina e, assim, a ocorrências de infecções vaginais que podem ascender para o útero e acabar gerando infecções mais sérias para mulher”, destaca Jurandir Passos.

Exagerar na limpeza dos pontos da cesárea ou episiotomia 

Claro que é essencial higienizar os pontos da cesárea ou da episiotomia, porém, o excesso faz mal. “Isto pode levar a um excesso de umidade que favorece a proliferação de bactérias, além de poder ser um fator facilitador para a entrada delas na ferida cirúrgica, facilitando infecções nas cicatrizes, por diminuir a flora normal da pele que age como um fator protetor”, conta Jurandir Passos.

Quebrar o resguardo

O sexo no período do pós-parto, conhecido como resguardo, pode causar alguns problemas de saúde. “Isto irá evitar riscos de infecção, e não só para a mulher, mas também para o homem. A relação sexual durante o período de “resguardo” aumentam a chance do homem poder desenvolver infecção”, afirma Jurandir Passos. Saiba mais sobre o resguardo aqui. 

Má postura ao mamar

Para a mãe, posturas inadequadas de amamentação podem levar a dores musculares que acabam por dificultar o processo de amamentação. “Já que elas podem levar ao uso de anti-inflamatórios que podem interferir no leite”, conta Jurandir Passos. Assim, a mulher deve sempre procurar uma posição em que haja apoio e o esforço para segurar o bebê na posição seja o menor possível.

A melhor postura para a mãe ao amamentar é estar sentada, ter apoio para os braços, estar em um local tranquilo e com baixa luminosidade para que o bebê também fique tranquilo, tornando o momento prazeroso para ambos.

Veja mais

loquio-sangramento-pos-parto
prefencial-mae-amamenta-lactente1
mulher-tiaguinho-gravida-chape

Deixe uma resposta

Comentários