Após morte de 4 bebês, mães protestam contra Hospital Salvalus

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução

Familiares acusam Hospital Salvalus da Zona Leste de São Paulo de negligência contra os bebês  e outros pacientes

No último sábado (29), mães, pais e outros familiares se reuniram em frente ao Hospital Salvalus da Zona Leste de São Paulo para exigir que o Ministério Público investigue o hospital. Estes familiares acusam alguns funcionários do hospital de negligência que acabou levando ao falecimento de ao menos quatro bebês que estavam ficaram internados no local, além de muitos outros pacientes adultos.

As denúncias contra este hospital começaram com o caso do pequeno Benjamin que faleceu aos quatro meses de vida após ter passado 40 dias internado no Hospital Salvalus. Os pais do menino, Caio Vieira e Lidiane Braga Fidelis, acusam o Hospital Salvalus de negligência no caso de seu filho. De acordo com a mãe Lidiane, o pequeno Benjamin teve invaginação intestinal provavelmente em decorrência da vacina rotavirus. A invaginação intestinal é uma condição na qual uma parte de um órgão, geralmente o intestino, entra em outro. Geralmente, o tratamento da invaginação pode envolver entubar o bebê e por meio desse tudo tentar fazer com que a parte do órgão saia da outra. Caso o médico não consiga desta forma, a cirurgia é necessária. Ao abordar o tratamento da invaginação, a Universidade de Stanford, uma das mais importantes dos Estados Unidos, ressalta que o tratamento nas primeiras 24 horas em que a invaginação aparece garante a recuperação total dos bebês. Além disso, a Universidade de Stanford afirma que quanto mais se demora para tratar a invaginação, maiores as chances de morte do bebê. No caso de Benjamin, os médicos levaram três dias apenas para diagnosticar o problema e ainda só deram maior atenção ao bebê após forte insistência da mãe. Veja o depoimento da mãe Lidiane sobre o caso de seu filho aqui.

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Depois da denúncia de Lidiane começaram a surgir outros casos de bebês que estavam internados no mesmo hospital e perderam suas vidas por negligência médica, segundo seus familiares.

A avó Janaina Nascimento afirma em texto divulgado em suas redes sociais que seu neto Enzo Gabriel faleceu devido à negligência dos profissionais do hospital Salvalus. De acordo com ela, os problemas já começaram na falta de atendimento ao parto prematuro de sua filha Milena Lorrainy. Mesmo assim, Enzo Gabriel nasceu aos 7 meses de vida, mas muito saudável. De acordo com os médicos, o pequeno teria que ficar pouco tempo na UTI neonetal apenas por precaução. Porém, quando a avó foi visita-lo no mesmo dia na incubadora notou que o aparelho estava desligado. No dia seguinte, a família foi informada que o Enzo Gabriel estava em estado gravíssimo e o bebê faleceu no mesmo dia.

Já a mãe Thais Gasparetto relatou que seu bebê Bryan faleceu após cinco meses internado no hospital Salvalus. Ela afirma que neste período o menino passou por uma série de casos de negligência. Thais precisou brigar para que os profissionais de saúde aceitassem realizar uma série de exames de saúde em Bryan. Ela chegou a fazer um boletim de ocorrência contra o hospital porque Bryan teve três costelas fraturadas enquanto estava internado e nenhum profissional do hospital soube informa-la sobre como aquilo ocorreu.

Saiba mais sobre os casos de Bryan e Enzo Gabriel aqui.

Entre os manifestantes, uma outra mãe relatou em vídeo realizado durante o protesto que é diabética e que quando estava com 8 meses de gestação foi internada no Hospital Salvalus. “Eu estava grávida de 8 meses e precisei ser internada para adiantar o meu parto, um procedimento normal para quem tem diabetes. Eles me deixaram 72 horas sem insulina, o que me levou ao coma e parada cardíaca, minha filha nasceu e sobreviveu por apenas 5 minutos. Quando eu tive alta da UTI, o que foi quase um milagre, novamente eles me deixaram sem insulina e eu tive que voltar para a UTI e quase morri de novo. Eu entrei no hospital cheia de planos e só pude ver minha filha por uma foto dela em uma mesa inox gelada com ela morta. Fazem três anos que isso ocorreu, é um hospital irresponsável”, disse a mãe.

Também estiveram presentes no protesto familiares de adultos que foram internados no hospital Salvalus e que afirmam que esses pacientes perderam suas vidas por negligência dos funcionários do hospital.

Os manifestantes pediram para que o Ministério Público investigue os casos e o Hospital Salvalus. Este hospital responde por pelo menos 18 casos de erros médicos e 50 casos de danos morais.

Por meio de nota, o Hospital Salvalus informou que respeita o direito constitucional de qualquer pessoa se manifestar e que tem como prática entrar em contato com familiares de pacientes sempre que preciso para esclarecimento de toda a conduta e os esforços empreendidos nos tratamentos e procedimentos. Segundo a empresa, são realizados cerca de 2 mil atendimentos diários no local e que as adequações e melhorias são constantes.

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