Bebê morre e pais acusam hospital particular de SP de negligência

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução Facebook

A mãe afirmou em post no Facebook que seu filho Benjamin teve invaginação provavelmente por reação a vacina rotavírus

A mãe Lidiane Braga Fidelis está utilizando as redes sociais para denunciar um triste caso que afetou toda a sua família. O filho de quatro meses de Lidiane, o pequeno Benjamin, faleceu no dia 9 de setembro após passar 40 dias internado no hospital particular Salvalus localizado na Zona Leste de São Paulo. Os pais afirmam que houve negligência médica. Além disso, Lidiane afirmou em post no Facebook que Benjamin teve invaginação intestinal provavelmente em decorrência da vacina rotavirus. “Ele (Benjamin) estava sofrendo por causa da invaginação intestinal, provavelmente reação da vacina rotavírus”, disse Lidane no post.

A seguir, veja o texto que Lidiane postou em seu Facebook contando o que houve com o pequeno Benjamin:

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“Levamos Benjamin no PS infantil dia 28 de Julho, ele apresentava vomito forte e muitas dores, voltamos pra casa com diagnóstico de virose, pela 2 vez no mesmo dia, à noite, voltei ao PS, já com ele um pouco mais apático e com uma fralda descartável que apresentava sangue meio geleia (hoje sei que esse é um dos sintomas para detectar a invaginação), e ele continuava vomitando muito e já havia parado de comer. Entramos na sala da médica, eu desesperada porque ele não parava de chorar e vomitar, relatei o que estava acontecendo, ela com toda calma do mundo olhou pra ele por cima e disse que ele estava com alergia ao leite, eu sem entender muito bem disse que gostaria que ela fizesse exames para ficarmos mais tranquilos, ela com todo descaso do mundo disse que não era necessário, inclusive me deu uma bronca que não deveria levá-lo ao pronto-socorro por qualquer “dorzinha” que ele assim poderia ficar doente. Voltamos pra casa naquela noite com o diagnóstico de alergia ao leite.

Noite de sexta para sábado, uma das piores noites da minha vida, meu guerreiro piorou muito, os vômitos eram contínuos e as dores, que segundo a médica eram cólicas, seguiram por toda noite, naquela madrugada passei a noite com meu filho no colo vendo ele sofrer e sem entender direito o que estava acontecendo, pois a médica havia dito que não era nada para se preocupar.

Manhã de sábado, acordamos assustados, Benjamin já não queria se alimentar e o pouco que comia vomitava muito, e as dores seguiam, ele chorava desesperado. Voltei ao PS, agora um pouco mais revoltada e preocupada, daí por diante o pior pesadelo da minha vida começava. Passamos a tarde no hospital, primeiro pediram exame de sangue e urina, na sequência um raio x, que depois de muito insistir por um retorno da médica do plantão daquela tarde disse que pelo raio x ele podia estar com problemas de gases, inclusive eu estava com um luftal na bolsa, perguntei se podia dar a ele e ela disse que sim.

Seguimos por toda tarde de sábado sem saber o que estava acontecendo com nosso filho, ela já estava quase me mandando embora pra casa quando fui troca-lo e a fraldinha estava repleta de sangue. Logo juntou outras pessoas ali e a médica pediu para subirmos para um ultrassom abdominal. Lá diagnosticamos que meu príncipe estava com invaginação intestinal e que era caso cirúrgico, mas que eles tentariam fazer um exame para tentar desinvaginar, exame que fizeram sem sucesso, assim sendo, teríamos que aguardar até o dia seguinte à cirurgia, segundo os médicos não era uma cirurgia de emergência. Eu e meu filho ficamos da madrugada de sábado até domingo na pediatria, pois a cirurgia estava marcada para domingo às 8h da manhã. Passei a noite com meu filho nos braços vomitado muito, naquele momento a situação já havia se agravado muito e ele estava totalmente apático e chorado muito, gritei, chamei os médicos, ameacei e nada adiantou, eles disseram que eu teria que aguardar o dia seguinte porque a cirurgia já estava agendada mas que eu podia ficar tranquila que ele estava bem. Os infelizes deixaram meu filho desidratar, as enfermeiras que colocaram o soro nele não perceberam que o acesso do bracinho estava obstruído. Amigos, passei a noite com meu filho nos braços vomitando fezes e ninguém fez nada, diziam que ele estava bem.

Manhã de domingo seguimos para o centro cirúrgico, última lembrança que tenho de ver meu filho acordado, meio choroso mais ainda com vida nos seus olhinhos. 10 minutos depois o médico aparece nos dizendo que não havia operado meu filho porque ela havia “destabilizado” ali ele teve a primeira parada cardíaca, ocasionada pelo estado clínico dele que já era muito ruim.

Começava aí os piores dias da minha vida, uma cirurgia que seria simples, se complicou por falta diagnóstico correto e por tantas coisas mais. Dali por diante a situação dele só se agravou foram 40 dias de luta, 3 operações, infecções e bactérias no sangue, ele lutando pra viver e eu lutando para que os médicos, enfermeiros técnicos fizessem seu trabalho correto.

Nesses 40 dias, briguei muito com muitas pessoas, estávamos numa UTI mas com pessoas totalmente despreparadas, por muitas vezes quando o estado clínico dele piorava eu que percebia, que ia atrás de explicações e sempre brigava para que ele fizessem algo. Destaco aqui as exceções, alguns profissionais que me ajudaram muito nessa luta e presenciaram todo meu desgaste e sofrimento.

Infelizmente meu filho faleceu, depois de tanto lutar, não é justo e nunca vou me conformar. Perdi toda minha alegria, minha vontade de viver, provavelmente daqui pra frente vou viver à base de remédios para esquecer tudo que vivia nesses últimos dias. Deixo aqui o alerta é o pedido de justiça, se há justiça nesse mundo que ela seja feita, mataram meu filho inocente, eu presenciei meu filho morrer, abracei o corpinho já sem vida dele e prometi que lutaria por justiça. Dormi 40 dias segurando a mãozinha dele e dizendo que ele ficaria bem. Meu bebezinho ficou 1 mês entubado, fizeram vários exames com laudos inconclusivos, ninguém sabia me dizer porque ele não melhorava, na UTI os médicos trabalhavam por plantões, e cada médico tinha uma conduta diferente o que fazia com que meu guerreiro nunca melhorasse.

Peço encarecidamente que vocês compartilhem esse post é espalhem para o maior número de pessoas possível. Esse hospital tem que fechar, chega de matar crianças, tenho certeza que não fui a única.

NADA me consola, nada faz sentido, perdi tudo que tinha, tudo. Meu companheiro, filho amado eu não vou jamais aprender a viver sem você. Eu tô destruída, não tenho mais sonhos, eu morri por dentro, e hoje digo que essa dor não tem explicação, ela sangra e não tem remédio.

TEAMO MEU BENJAMIN!”.

A equipe de jornalismo do BebêMamãe.com está tentando o contato com Lidiane para saber mais detalhes sobre o caso, assim que isso ocorrer a reportagem será atualizada.

A invaginação de fato pode ser uma reação a vacina rotavirus, trata-se de uma reação rara, porém possível. Inclusive, um estudo recente observou um aumento no número de bebês internados por invaginação desde quando a vacina rotavirus começou a ser dada nos bebês. Saiba mais sobre o assunto aqui. E saiba tudo sobre a vacina rotavirus aqui.

Em nota à revista Crescer, o hospital Salvalus disse:

“A Greenline Sistema de Saúde se solidariza com a família do menor Benjamin, diante da dor irreparável vivenciada neste momento. No entanto, colocamos que a Greenline é uma empresa que atua na área da saúde há 24 anos, contando com uma sólida e moderna infraestrutura de atendimento e com profissionais altamente qualificados, disponíveis 24h/dia. Em tempo, temos a esclarecer que o caso clínico do Benjamin é comprovado em literatura médica de prognóstico delicado, de resolução cirúrgica complexa, que no caso dele ficou agravado devido a uma má formação congênita existente. Deixamos claro que a Diretoria da Greenline encontra-se disponível para sanar qualquer questionamento da família”

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