Uso de paracetamol na gravidez aumenta risco de autismo no bebê

Por: Bruna Romanini

Foto: Getty Images

A pesquisa também descobriu que o paracetamol aumenta risco de Déficit de Atenção com Hiperatividade

Uma pesquisa publicada na revista científica International Journal of Epidemiology descobriu que o uso de paracetamol durante a gestação aumenta o risco de autismo em bebês meninos e eleva as chances de Déficit de Atenção com Hiperatividade em bebês de ambos os sexos.

Este é o primeiro estudo a reportar uma associação entre um medicamento na gestação e o autismo no bebê. Também é o primeiro estudo a notar uma diferença nos efeitos dos medicamentos em meninos e meninas.

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A pesquisa foi feita com 2644 mães e seus respectivos filhos, 79% deles foram acompanhados pelos pesquisadores desde a gestação até os cinco anos das crianças. As mães foram questionadas sobre seu uso de paracetamol durante a gestação e a frequência deste uso foi classificada como nunca, esporádico ou persistente.

Ao final dos cinco anos de idade das crianças, os pesquisadores notaram que os pequenos que foram expostos ao paracetamol durante a gestação de suas mães tiveram mais chances de apresentar um comportamento hiperativo e também sintomas de autismo, no caso dos meninos. Quanto mais paracetamol a mãe consumiu durante a gestação, maiores as chances.

O co-autor do estudo Dr. Jordi Júlvez explica as possíveis relações entre o medicamento e os problemas neurológicos: “Paracetamol pode prejudicar o desenvolvimento neurológico por uma série de razões. Primeiramente, o paracetamol reduz a dor porque age em receptores do cérebro que também determinam como os neurônios vão amadurecer e se conectar uns com os outros. Assim, o medicamento poderia afetar também esse amadurecimento e conexão dos neurônios. Outra questão é que o paracetamol poderia prejudicar a imunidade ou apenas ser tóxico para alguns fetos”.

Os especialistas também explicaram porque somente os meninos tiveram mais chances de desenvolver o autismo. “No início da vida, o cérebro masculino pode ser mais vulnerável para certas substâncias prejudicais do que o cérebro feminino”, explica a autora do estudo Claudia Avella-Garcia.

Por fim, os pesquisadores concluíram que a constante exposição dos fetos ao Paracetamol  pode elevar a quantidade de crianças com Déficit de Atenção com Hiperatividade e autismo. Os especialistas também afirmam que são necessários mais estudos para entender qual é a dose perigosa de paracetamol.

Confira aqui outros problema que o paracetamol pode causar para a saúde do bebê.

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