Bebê de 9 meses morre em SP após mãe levá-la a UPA três vezes

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução

A bebê estava com coqueluche, mas o diagnóstico só foi feito quando seu quadro piorou

Uma bebê de nove meses perdeu a vida para a coqueluche. A pequena Luíza Helena Luíza de Oliveira Marques de Castro faleceu mesmo após sua mãe tê-la levado TRÊS vezes para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) em Barretos (interior de São Paulo). O diagnóstico de coqueluche só foi dado na Santa Casa da cidade após a mãe ter procurado o local devido à piora da filha.

Agora, a mãe Juliana de Oliveira Pereira, acusa a UPA de negligência médica. “Não estou conformada, choro toda hora. É uma dor que eu não sei onde por. É muito dolorido a perda de um filho”, disse Juliana em entrevista ao portal G1.


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A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Luíza. De acordo com o delegado Antônio Alício Simões Júnior, os prontuários médicos da criança serão solicitados à UPA e à Santa Casa.

A Prefeitura de Barretos informou o portal G1 que nos registros constam duas passagens da menina pela UPA. Informou ainda que vai aguardar o laudo médico dos exames de autópsia realizados na criança para decidir pela abertura de processo administrativo para apurar o caso.

Diagnóstico errado

A mãe Juliana afirmou em entrevista ao portal G1 que procurou a UPA pela primeira vez no dia 5 de novembro depois que a bebê apresentou sintomas como tosse e dificuldade para respirar. De acordo com a mãe, a criança recebeu tratamento para bronquiolite, uma inflamação nas vias aéreas, e foi liberada. Como não melhorou, a mãe tornou a buscar atendimento nos dias 9 e 11.

“Eles atenderam ela, não declararam o hemograma completo pra ela, só fizeram raio-x. Deu a receitinha e mandou embora pra casa. Isso, eu três dias indo lá com ela”, contou Juliana em entrevista ao portal G1.

A esta altura, Juliana já estava desconfiada do quadro de saúde da filha e então decidiu procurar a Santa Casa no dia 12 de novembro e foi informada por uma médica que a filha estava com coqueluche.

“A doutora deu corticóide, porque ela estava com muita falta de ar, deu inalação e mandou embora para casa. Se não melhorasse, era para voltar aqui e internar ela. Ela tossia muito, muito, muito. Ficava muito roxa e vomitava”, contou Juliana em entrevista ao portal G1.

Como o quadro de Luíza piorou, a família retornou ao hospital no dia seguinte e a bebê foi internada. Ela ficou oito dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas não resistiu. A certidão de óbito aponta insuficiências respiratória e renal aguda, choque séptico, pneumonia e coqueluche como causas da morte.

Juliana acredita que a morte da filha foi causada pela ausência de um diagnóstico preciso nas três vezes em que passou pela UPA. Inconformada, a avó do bebê quer que seja feita justiça. Luciana Alves de Oliveira chora ao se lembrar dos preparativos para a festa do primeiro aniversário da neta.

“Eu estava preparando tudo para a festinha de um aninho dela, estava arrumando tudo. De repente, ela ir embora desse jeito. Tá doído demais. A família toda não quer aceitar. Está muito difícil essa situação para todos nós. Uma bebê tão forte, tão linda”, disse Luciana em entrevista ao portal G1.

De acordo com o delegado, a documentação da paciente será encaminhada a um perito para que seja analisada a compatibilidade do tratamento ministrado.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Barretos informou que Luíza foi atendida na UPA no dia 26 de outubro, quando recebeu encaminhamento para a Santa Casa, e no dia 10 de novembro, quando foi atendida e a mãe foi orientada a retornar à unidade para exames, caso não a menina não apresentasse melhora.

A Prefeitura vai aguardar o laudo médico da autópsia para decidir sobre a investigação.

Entenda a coqueluche em bebês

Coqueluche é uma infecção respiratória que faz os bebês ficarem com muita tosse e pode ser fatal.

Algumas atitudes ajudam a proteger seu bebê contra a coqueluche. A primeira envolve se vacinar ainda na gestação, tomando a Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto. Caso a mulher não a tenha tomado na gestação, deve fazer isso no pós-parto. Ao se imunizar, a mãe poderá passar anticorpos ao bebê por meio do leite materno. Saiba mais sobre vacinas no pós-parto aqui. E vacinas na gravidez aqui.

O próximo passo para proteger o bebê envolve vaciná-lo com a vacina penta, a primeira dose deve ser dada no 2º mês de vida e a segunda dose no 4º mês de vida do bebê.

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