‘Como eu percebi que estava com DEPRESSÃO PÓS-PARTO’

Por: Bruna Romanini

Foto: Thinkstock

A mãe Kimberly Zapata contou como foi descobrir que sofria com depressão pós-parto

A depressão pós-parto é uma doença que afeta uma em cada sete novas mães, mas infelizmente ainda se fala muito pouco a respeito. Após conseguir superar uma depressão pós-parto, a mãe Kimberly Zapata decidiu contar a história de como descobriu que tinha esta doença, veja o depoimento que ela concedeu ao portal LittleThings seguir:

“Antes do nascimento do meu bebê eu recebi muito conselhos, alguns úteis e outros não. Mas o conselho que eu mais precisava, as palavras que precisava ouvir desesperadamente, eu não ouvi.

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Estas palavras ainda doem para muitos pais, dói tanto que muitos se recusam a falar sobre ela.

Então, quando eu senti isso em uma sexta-feira à noite, a primeira sexta em que meu marido voltou a trabalhar, eu não sabia o que era aquilo que eu estava sentindo.  Eu sabia que aquilo começou a serpentear seu caminho até minhas costas enquanto eu estava no telefone com meu marido. Ele se contorceu e torceu dentro de mim quando meu marido me disse que ele iria chegar atrasado porque estava saindo para beber com alguns colegas e amigos. E ficou passando pela minha espinha enquanto eu esperava meu marido chegar. E mesmo quando meu marido chegou, ‘aquilo’ não foi embora, apenas ficou nos meus ombros, onde cresceu e se transformou em algo grande, pesado e ruim.

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E admitir que eu senti isso é muito difícil. Eu queria ser aquela mãe que deu à luz com um sorriso no rosto. Eu queria estar feliz nas noites sem dormir ao lado do meu bebê. E eu queria ser aquela nova mãe muito feliz.

Mas ao invés disso, eu me senti isolada. Fiquei cada vez mais frustrada, fiquei com raiva. Eu estava chateada. Em pouco tempo, o aborrecimento tornou-se amargura. A amargura se transformou em cinismo e desprezo e eu fiquei fria.

Ressentimento passava por todo meu corpo, todo o meu ser e até na minha alma. Eu comecei a odiar meu marido por ir ao trabalho, por estar feliz por ir ao trabalho, por comer café da manhã sozinho, por poder fazer xixi sozinho!

Como ele ousa fazer xixi sozinho?

E eu odiei até minha bebê porque ela precisava de mim e porque eu não era só sua mãe, eu era seu conforto, sua chupeta, quem limpa seu bumbum e sua vaca leiteira.

Eu me sentia como uma vaca leiteira.

E acima de tudo, eu odiava a mim mesma por ter esses pensamentos.

E mesmo quando eu tinha a chance de dar umas escapadinhas e tomar café sozinha ou fazer xixi sozinha, eu ainda me sentia mal, porque eu sabia que na minha casa o que estava esperando por mim era: uma criança cansada, com fome e chorando.

O som das lágrimas da minha bebê cortava meu coração. Em pouco tempo, eu me senti desanimada e abatida. Em pouco tempo, eu me senti desamparada. E em pouco tempo, eu me senti desesperada, porque eu estava presa: aprisionada por mim, minha raiva, minha animosidade, meu ressentimento, e meu bebê exclusivamente amamentado.

Eu me lembro de pensar: “Este deveria ser o momento mais feliz da minha vida, eu deveria estar feliz. Por que não estou feliz?!”.

Eu notei que tinha algo errado comigo. E então, conclui que eu era uma mãe ruim, na verdade eu achei que era a pior mãe de todas e conclui que eu não deveria ter virado uma mãe.

Eu pensei em abandonar minha filha. Eu pensei em abandonar meu marido e pensei até em me matar.

Foi quando eu comecei a fazer planos que eu entendi que havia algo muito errado comigo. E era mais do que remorso ou ressentimento, então eu liguei para o meu ginecologista. Em menos de 24 horas, eu passei por uma consulta e recebi o diagnóstico: eu estava sofrendo com depressão pós-parto. E apesar de ter levado meses para que eu conseguisse superar esta depressão, esse diagnóstico foi o começo.

Reconhecer meus sentimentos foi o começo do meu tratamento.

Então, se você é uma nova mãe que está mal, se você é uma nova mãe que se sente triste ou com raiva ou mesmo distante, saiba que você não é um fracasso. Você não é uma mãe ruim e você NÃO ESTÁ SOZINHA.

As coisas podem e vão melhorar, se você reconhecer seus sentimentos. E se você aceita-los e buscar ajudar médica”.

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