“Sofri para conseguir amar um bebê que sabia que ia morrer”, desabafa mãe

Por: Bruna Romanini



kirsten filha marido

Foto: Reprodução Love What Matters – a pequena Maeve com poucos dias de vida

A bebê Maeve viveu por 444 dias e agora sua mãe fez um emocionante desabafo sobre sua história

A mãe Kirsten Foote, 29 anos, da Nova Zelândia teve apenas 444 dias ao lado de sua filha. Desde a primeira semana de vida da pequena Maeve, Kirsten sabia que sua bebê não iria sobreviver por muito tempo, devido a uma rara má formação no cérebro.

Ela escreveu um emocionante relato ao portal Love What Matters sobre como foram estes dias ao lado de sua pequena e sobre como foi amar uma filha que ela sabia que iria perder em breve.

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Confira o relato de Kirsten a seguir:

“’Eu estou muito preocupado com o desenvolvimento do cérebro da sua filha’. Esta frase do médico mudou nossas vidas para sempre. Apenas alguns dias antes do meu parto, eu e meu marido descobrimos que nossa filha nasceria com graves problemas no cérebro. Com horas de vida nossa filha recebeu o diagnóstico de que tinha lisencefalia. Lisencefalia significa ‘cérebro liso’, ou seja, faltam os sulcos e reentrâncias de um cérebro normal.

Quando nossa filha Maeve tinha uma semana de vida, descobrimos que a causa de sua lisencefalia era síndrome de Miller-Dieker. Essa é uma das formas mais severas de lisencefalia. Crianças com essa síndrome costumam viver no máximo até os dois anos de vida.

Eu sofri muito para conseguir amar um bebê que eu sabia que ia morrer. Como eu poderia deixar meu coração sentir alegria, sendo que ele estava prestes a se partir em mil pedaços?! Era como se o nosso mundo tivesse perdido cor, alegria, enquanto estávamos no hospital tentando cuidar de uma bebê prematura que não teria muito tempo de vida.

Maeve recebeu alta do hospital pouco antes do Natal. Ter ela conosco nos deu uma nova força e determinação.

Nós decidimos focar no que seria a nossa própria versão do normal e celebrar cada momento que teríamos com nossa filha nos braços. Nós levamos Maeve para a praia, para visitar amigos e familiares, a levamos para almoçar fora e mais importante, nós a amamos mais do que eu achava ser possível sentir. Maeve começou a sorrir e interagia muito conosco. Haviam nos dito que ela poderia nunca demonstrar uma emoção, então quando ela sorriu para nós foi muito especial.

Quando ela tinha poucos meses de vida, nós começamos a hidroterapia e percebemos que ela gostava muito de água. Então, passamos a leva-la várias vezes para a natação e notamos e este era um de seus momentos mais felizes.

Como sabíamos que a vida de Maeve seria curta, nós fizemos questão que seus dias fossem repletos de coisas que ela amava. Ela ouviu música, comeu sorvete, passeou bastante e teve vários brinquedos!

Aos seis meses, Maeve teve sua primeira convulsão. Ela parava de respirar várias vezes. Nós começamos a nos preparar para dizer adeus. Não parecia que seu corpinho iria aguentar. Ver ela ter convulsões foi uma das coisas mais difíceis que enfrentamos. Por sorte, com a medicação conseguimos controlar as convulsões e ela começou a melhorar.

Mas aos sete meses as epilepsias voltaram com tudo e minha filha foi piorando. Passamos a ir constantemente para o hospital por causa de convulsões e também de infecções respiratórias. Ficar no hospital por tanto tempo não foi fácil para ninguém, foi exaustivo e emocionalmente difícil. Mas apesar de todas as dificuldades, Maeve nunca ficou sem muito amor e carinho. Nós ficávamos com ela constantemente em nosso colo e ela sabia o quanto era amada.

Ela teve uma melhora pouco antes de um ano. Então, no aniversário de um ano de Maeve eu fiz questão de fazer uma super festa. Ela conseguiu curtir a festa em nossos braços e neste ano que passamos com nossa filha nós percebemos que o diagnóstico dela não a definia. Para nós, ela era perfeita.

Após seu aniversário de um ano, sua saúde começou a piorar de novo. Tentamos novos medicamentos, terapias, todos os tratamentos possíveis, mas nada adiantou.

No Dia de São Valentim de 2018, Maeve deu seu último suspiro em meus braços. Nós sentimos muito a falta dela, a dor é terrível. Mas apesar da presença física de Maeve não estar mais conosco, sua vida sempre será muito maior do que sua morte. Ela nos ensinou o quão mágica a vida pode ser. Todos os 444 dias que tivemos com ela foram bem aproveitados. Nós aprendemos a amar de uma forma mais livre e intensa.

Maeve trouxe alegria e amor para nossos corações. Ela trouxe luz para nossos corações quando eu achava que só haveria escuridão. Ela nos deu força quando nos sentíamos fracos e deu um significado para nossos dias”.

Foto: Reprodução Love What Matters – a pequena Maeve com seus pais

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