A mãe de Eliza Samudio comoveu ao desabafar por meio de uma carta aberta sobre o goleiro Bruno, que está foragido. Bruno passou a ser considerado foragido há oito dias após não ter se apresentado para cumprir a determinação de retorno ao regime semiaberto.
O goleiro Bruno foi condenado a 22 anos de prisã0 em 2013 por ter tirado a vida de Eliza Samudio. Bruno tirou a vida de Eliza após ela ter cobrado do jogador o reconhecimento da paternidade do filho deles, Bruninho Samudio, que atualmente tem 16 anos.
Bruno ficou pres0 de 2010, ano em que tirou a vida de Eliza, a 2019, quando progrediu para o regime semiaberto. E então em 2023 ele foi para o regime aberto. Porém, o juiz determinou a volta de Bruno ao regime semiaberto após ele ter viajado para o Acre em 15 de fevereiro sem autorização judicial para jogar pelo Vasco-AC.
Acontece que pelas regras impostas pela justiça, o goleiro Bruno estava proibido de deixar o estado do Rio de Janeiro. Apesar das determinações do juiz, Bruno não se apresentou a justiça e é considerado foragido.
Nesta quarta-feira (18), a justiça tomou uma decisão sobre Bruno. Isto porque o advogado dele entrou com uma liminar pedindo para suspender a revogação de sua liberdade condicional. Ou seja, tentando manter a liberdade condicional de Bruno.
Porém, a desembargadora Katya Maria de Paula Menezes Monnerat da 1ª Vara de Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido da defesa de Bruno e determinou um novo mandado de prisã0 em regime semiaberto.
Mãe de Eliza Samudio desabafa sobre o goleiro Bruno
A mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima Moura, escreveu uma carta aberta diante desta situação que estão passando com o goleiro Bruno. “CARTA ABERTA ÀS AUTORIDADES. Excelentíssimas Autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, À sociedade brasileira, À imprensa. Nós, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de seu filho Bruninho, dirigimos -nos à Vossas Excelências e ao povo brasileiro com o coração pesaroso, mas ainda firme na luta por justiça”.
Elas continuaram: “Escrevemos esta carta em um momento em que a dor, a angústia e a indignação parecem ter se naturalizado em nossas vidas. Escrevemos porque o silêncio não é uma opção. Escrevemos porque o sistema judiciário, que deveria proteger e garantir o cumprimento das leis, tem falhado reiteradamente conosco — e, por extensão, com toda a sociedade”.
Mãe de Eliza Samudio aponta o que o goleiro Bruno descumpriu
A mãe de Eliza Samudio também falou sobre o que o goleiro Bruno já descumpriu desde quando entrou no regime aberto. “Bruno Fernandes, condenado em 2013 a mais de 20 anos de prisão pelos cr1mes de feminicídi0, sequestr0, cárcere privado e ocultação de c4dáver contra Eliza Samudio, encontra-se foragido. Apesar de decisão judicial que determinou sua prisã0, ele segue em liberdade — uma liberdade que, como provam os fatos, nunca lhe foi totalmente cerceada”.
Ela continuou: “Desde 2023, Bruno não era localizado para assinar o Termo de Compromisso do Livramento Condicional. A Vara de Execução Penal levou três anos para tomar qualquer providência. Enquanto isso, além de ir assistir ao jogo no Maracanã a noite como se livre fosse, ele viajava livremente: para o Espírito Santo (01), para Minas Gerais (08) e para o Acre (01) — sempre com a complacência de um sistema que parece incapaz de monitorar quem deveria estar sob regime semiaberto.
A mãe de Eliza Samudi também disse: “No dia 15 de fevereiro de 2026, apenas cinco dias após oficializar sua progressão de regime, Bruno viajou sem autorização judicial para o estado do Acre, onde participou de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC, no Campeonato Brasileiro. Acompanhada e divulgada nas redes sociais não apenas pela indignação da contratação do Goleiro Bruno, mas também pela afronta de uma homenagem a jogadores pres0s sob suspeita de estupr0 coletivo”.
Ela ainda falou sobre o c0rp0 de Eliza Samudio nunca ter sido encontrado. “A cena é estarrecedora: enquanto um feminicid4 condenado desfila impune, a mãe de sua vítima nunca pôde enterrar a filha, e o filho órfão nunca teve acesso aos restos mortais da própria mãe”.
“Enquanto Bruno desfruta de privilégios incompatíveis com sua condição de apenado, nós, familiares de Eliza, somos sistematicamente atacados. Somos cobrados, silenciados, invisibilizados. Enquanto ele recebe autógrafos e holofotes, nós seguimos tentando sobreviver ao luto sem corpo, à dor sem reparação, à ausência sem justiça”.
A mãe de Eliza Samudio recordou a recusa do goleiro Bruno em fazer teste de DNA para reconhecer a paternidade e também o fato de não pagar a pensão. “Bruno recusou-se por duas vezes a realizar exame de DNA, negando a paternidade por anos. Pagou pensão apenas uma vez, – 2 anos acumulados — o suficiente para evitar a prisão. Há quase quatro anos, não contribui com um centavo para a criação do próprio filho. E, ainda assim, o Estado não o notificou? Não o localizou? Não agiu? Como um apenado não é encontrado pela justiça se é obrigado ter seu endereço atualizado?”.
Família de Eliza Samudio faz pedido em relação ao goleiro Bruno
A família de Eliza Samudio também fez um pedido em relação ao goleiro Bruno. “Não pedimos vinganç4. Pedimos justiça. Pedimos o cumprimento integral da lei. Pedimos que a Vara de Execução Penal investigue todas as viagens não autorizadas realizadas por Bruno Fernandes nos últimos anos. Pedimos que o Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado das exigências da Lei de Execução Penal. Pedimos que o Poder Judiciário e a Vara de Execução Penal garanta que a pena imposta seja, de fato, cumprida”.
E a mãe de Eliza concluiu dizendo: “Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada vi0lação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicid4 com tamanha leniência, envia uma mensagem perig0sa à sociedade: a de que o cr1me compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada”.





