Médico diz que menino partiu, mas pai faz descoberta e choca

Médico disse que menino partiu, mas pai descobriu a realidade
Médico disse que o menino Paulo Veronesi Pavesi havia partido, mas a realidade impressionou. / Reprodução Arquivo Pessoal
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O menino Paulo Veronesi Pavesi tinha apenas 10 anos de idade quando caiu do playground de seu prédio em Poços de Caldas, Minas Gerais. O que aconteceu depois disso, mudou a vida do pequeno Paulinho, de sua família e também afetou o país inteiro.

O acidente aconteceu no dia 19 de abril de 2000. Paulinho foi levado por sua mãe para o Hospital Pedro Sanches, localizado a 150 metros de sua residência. Em apenas dois dias, o quadro do pequeno Paulinho se agravou e no dia 21 de abril do mesmo ano, os pais foram informados que o menino teria tido m0rte cerebr4l.

A criança então foi encaminhada para a Santa Casa de Poços de Caldas onde os órgãos seriam retirados para doação. Contudo, após ter sido feita a retirada de órgãos e enterr0 da criança, os pais começaram a estranhar a situação porque foram cobrados 12 mil reais a época referentes a medicamentos usados para a remoção de órgãos. Atualmente, este valor equivale a 60 mil reais. Contudo, este valor deveria ser pago pelo SUS.

Agora, o pai de Paulinho, Paulo Pavesi, contou para o Investigação Crimin4l tudo que passou. “E quando me entregam documentos para pagar a conta. Exames de doação de órgãos estavam lá para eu pagar e eu falei: isso eu não vou pagar. E a funcionária falou: ‘você vai pagar porque aqui a gente trabalha assim’. Estavam cobrando até materiais que nunca foram usados”, contou.

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Pai descobre o que realmente aconteceu com seu filho

Foi por causa desta cobrança que o pai do menino Paulinho começou a achar uma série de fatos estranhos no caso de seu filho. Ao investigar o caso do menino com prfundidade, seu pai descobriu que o filho não sofreu m0rte cerebr4l em decorrência de um acidente. Mas sim, foi m0rt0 por médicos que faziam parte de uma máfi4 de tr4nsplantes de órgãos.

Entre as principais irregularidades descobertas no caso, destacam-se: a ausência de descrição completa da neurocirurgia e anotações técnicas imprecisas nos documentos médicos; declaração de m0rte encefálica sem o registro do horário do segundo exame clínico, o que inviabiliza a verificação do intervalo mínimo obrigatório de seis horas entre os exames.

Além disso, a data de conclusão da morte encefálica do menino, antecede o exame de arteriografia que só foi feito no dia seguinte, o que contraria as normas do Conselho Federal de Medicina.  Os médicos que atestaram a morte encefálica não possuíam formação em neurologia ou neurocirurgia.

Para piorar, Paulinho foi sedado com doses elevadas de anestésicos, o que pode ter mascarado os reflexos neurológicos, prejudicando avaliação clínica. Outra irregularidade foi que apenas o pai autorizou a doação dos órgãos, sendo que a lei exige a anuência de ambos os pais ou responsáveis legais. Ainda há suspeitas de que a assinatura tenha sido colhida após o início do procedimento cirúrgico, o que é uma grave irregularidade.

Além de tudo isso, o menino Paulinho foi classificado como ASA 5, que é aquele paciente que tem uma chance de sobrevivência mínima. Contudo, para a realização do transplante de órgãos, ele deveria ter sido classificado como Asa 6, que define pacientes m0rte cerebral.

O que aconteceu com os médicos no caso do menino Paulinho?

Em suas investigações do caso, o pai do menino Paulinho descobriu que sete médicos participaram da m0rte do seu filho e estavam envolvidos nesta m4fia. Ele ainda descobriu que apesar de representar somente 10% da população mineira, a cidade de Poços de Caldas era a que mais fazia transplantes de rim no estado!

E por que de rins? Porque esta era a especialidade do Dr. Álvaro Ianhez, um dos principais médicos que fazia parte desta máfi4. “Celso Scafi, Claudio Fernando e Sergio Gaspar, esses três médicos efetivamente m4t4ram o Paulinho ao retirar dele os órgãos enquanto ele ainda estava vivo! Eles sabiam que estavam fazendo isso, foram orientados pelo Álvaro e fizeram”, afirmou Paulo.

O pai também disse: “No caso do Paulinho mais oito famílias foram vítimas né? Mas nunca me deixaram entrar em contato com essas pessoas, escondiam os nomes. Mesmo que fossem adultos, eu não podia ter acesso. Só no final, em 2015, eu tive uma conversa com o filho de uma das vítim4s. Ele era um pedreiro que teve um AVC e foi levado pra Santa Casa, ele foi pra Santa Casa e esse cara m0rreu de fome! E virou doador, sem que a família soubesse de nada que estava acontecendo”.

Foram mais de 20 anos lutando na justiç4 para que os médicos que tiraram a vida de seu filho fossem responsabilizados. Durante este período, o pai s0freu tantas perseguições e ame4ças que precisou pedir asilo na Itália, onde vive até hoje.

Atualmente, alguns dos médicos envolvidos no caso foram condenados. Álvaro Ianhez, por exemplo, foi condenado a 21 anos e 8 meses de prisã0, porém, está cumprindo a pena em casa. Já os médicos José Luis Gomes da Silva e José Luis Bonfitto foram condenados a 25 anos de prisão cada. Sérgio Gaspar foi condenado a 14 anos, Celso Safi a 18 anos e Claudio Fernandes a 17 anos, mas nenhum dos três se encontra no regime fechado atualmente. Inclusive, durante todo o processo, estes médicos puderam continuar exercendo a profissão, não tiveram seus registros cassados.

Pai do menino Paulinho revela seus próximos passos

O pai do menino Paulinho, também contou no Investigaçã0 Criminal quais são seus próximos passos. “Você sabe quanto o SUS paga para tratar um traumatismo craniano? Não chega a 350 reais. Você sabe quanto o mesmo ministéri0 paga para um médico que faz transplante? Então vamos lá! Se meu filho não é recuperado, ele vira uma criança que vale meio milhão de reais! Por quê? Porque uma cirurgia simples, por exemplo, de transplante de pulmão, ele gera para o hospital, para o médico, 67 mil reais. E eu te pergunto: você acha que o médico vai salvar alguém com traumatismo ou que vai fazer um transplante?”.

Paulo continuou: “Eu não tô falando isso de achismo, eu tô preparando agora uma ação no tribunal penal internacional para denunciar o que está acontecendo, nós estamos recebendo notícias de crianças que entram no hospital com uma pneum0nia, eles estão identificando elas com laringite e não se faz nem um raio-x e manda para casa e a criança m0rre. Sabe quantas crianças estamos perdendo por falta de atendimento adequado?”.

O pai do menino ainda disse: “Mas se essa criança for doadora, ela tem tudo que ela precisa. A família tem assistente social, psicóloga, neurologista, pediatra, isso surge imediatamente se você falar em transplante. E estamos falando de um universo de 35 mil pessoas na fila. Então, eu pergunto: por que essas 35 mil pessoas têm que ter tanta prioridade em cima das outras tantas que poderiam ser recuperadas, como era meu filho?”.

Ele ainda destacou que é sim a favor da doação de órgãos. “Eu não estou aqui dizendo que a gente não tem que tratar o transplante, tanto é que eu sou doador. Agora, eu não posso fechar os olhos para essa realidade, estamos em um país pobre, onde os acidentes acontecem. É só isso que eu questiono: por que gastamos tanto com transplante e não podemos investir em traumatismo?”.

O pai também falou sobre como todo este longo processo afetou a sua vida e de toda a família. “O estrago que foi feito é irrecuperável. Eu fui casado com a mãe do Paulinho e me separei para que ela não fosse prejudicada. Eu fui para a luta e ela ficou cuidando da minha filha e fez um trabalho belíssimo. No meu segundo casamento, a família dela começa a ser pressionada no Brasil e eu sou obrigado a me separar para dar paz. Eu tô no meu terceiro casamento e eles vão continuar perseguindo porque a ideia deles é esm4gar a pessoa. E mais, eu sirvo de exemplo! Olha o que fizeram com ele, você vai tentar falar alguma coisa?”.

Os esforços de Paulo no caso de seu filho, apesar de tudo, renderam frutos. Além de ter conseguido a condenação dos médicos e o fim desta máfi4 de transplantes de órgãos, ele também conseguiu a mudança na legislação de transplantes.

Foi criada uma lei que alterou o artigo da lei de transplante de órgãos. Foi estabelecido que a lista de espera de transplantes é única, nacional e pública, gerida pelo Ministério da Saúde.  O objetivo disso foi justamente impedir distorções e manipulações na receptação dos órgãos, como se suspeitou no caso de Paulinho. Esta nova norma reforçou os critérios de diagnóstico da m0rte encefálica e delimitou as atribuições das centrais de captação e distribuição de órgãos.

Pai junto do menino Paulinho Pavesi
O menino Paulinho Pavesi junto com o pai, antes de todo o ocorrido. / Reprodução Arquivo Pessoal
Médico que foi um dos responsáveis pelo que houve com o menino
O médico Dr. Álvaro Ianhez um dos responsáveis pelo que aconteceu com o menino Paulo Pavesi. / Reprodução
Médico envolvido no que houve com Paulo Pavesi
Outro médico envolvido no caso do menino Paulo Pavesi. / Reprodução
Médicos envolvidos na partida do menino Paulinho Pavesi
Médicos envolvidos na partida do menino Paulinho. / Reprodução
Pai falando sobre o menino Paulinho
O pai do menino Paulinho falando do caso do seu filho 25 anos depois. / Reprodução
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