A mãe das duas crianças desaparecidas de Bacabal no Maranhão, Clarice Cardoso, fez um desabafo e falou sobre um diagnóstico que estaria enfrentando. Os irmãos Ágatha Isabelly, seis anos, e Allan Michael, quatro anos, estão desaparecidos há 44 dias.
Os irmãos desapareceram juntamente com seu primo Anderson Kauã, oito anos. Apenas Anderson Kauã foi encontrado três dias após o desaparecimento. Atualmente, o menino está bem e em casa. Ele afirma que se perdeu junto com os primos na floresta e que não houve outras pessoas envolvidas neste desaparecimento.
Já a mãe das duas crianças, Clarice Cardoso, acredita que seus filhos possam terem sido levados por alguém. E que Anderson Kauã teria sido devolvido por causa do seu diagnóstico de autistm0.
Ela também levantou, em conversa com Mary Coymbra, a possibilidade de Anderson Kauã ter sido d0pad0 de alguma forma e que por isso o menino estaria com maiores dificuldades em contar o que aconteceu. De fato, o menino não se recorda de muitas coisas sobre o período em que ficou perdido na floresta. Foi realizado um exame toxicológico em Anderson Kauã, mas o resultado ainda não saiu.
Mãe das crianças desaparecidas fala em diagnóstico
Fato é que as crianças Ágatha Isabelly e Allan Michael seguem desaparecidas sem qualquer sinal do seu paradeiro. Diante da falta de respostas e do longo período de 44 dias do desaparecimento de seus filhos, Clarice compartilhou uma reflexão sobre um diagnóstico que estaria enfrentando.
Ela compartilhou em suas redes sociais o vídeo de uma mulher no qual ela dizia: “Eu tô cansada de ficar triste”. Ela também escreveu: “Tem dias que existir dói mais do que viver. Ninguém vê, mas dói o tempo todo”. Junto com o vídeo, havia também uma reflexão sobre o diagnóstico de depressão, dando a entender que é isto que Clarice está enfrentando.
De fato, a própria Clarice relatou que não tem conseguido sair de casa para nada e que também mal tem conseguido se alimentar corretamente. O texto que ela compartilhou começa dizendo: “‘Eu tô cansada de ficar triste’. Essa frase não fala de um momento. Ela fala de um esgotamento psíquico. A depressão cansa porque não descansa. Ela roub4 a vontade antes mesmo do dia começar. Levantar da cama vira esforço. Tomar banho vira tarefa. Responder mensagens vira peso. Não é preguiça. É falta de energia emocional. A pessoa para de querer sair de casa não porque não gosta das pessoas, mas porque socializar exige uma força que ela não tem”.
“Conversar dói. Explicar cansa. Sorrir machuca. Aos poucos, tudo perde cor. O que antes dava prazer agora parece distante. Não há ânimo, não há desejo, não há perspectiva — só uma sensação constante de estar carregando algo pesado por dentro”.
A mãe das crianças desaparecidas também falou em isolamento. “A depressão também isola. Não por escolha, mas por sobrevivência. É uma tentativa de economizar o pouco que ainda resta. E o mais cruel é que, muitas vezes, quem está assim se culpa. Se cobra. Se chama de fraca”.
O texto ainda diz: “Como se fosse falha de caráter; quando, na verdade, é adoecimento. Quem vive esse sofrimento não quer desistir da vida. Quer descansar da dor. Quer parar de sentir esse cansaço que não passa. Por isso, depressão não se vence com força de vontade. Se enfrenta com cuidado, escuta, tratamento e tempo. Com ajuda profissional. Com pessoas que não pressionam, não minimizam, não abandonam”.
O texto termina dizendo: “Se você se reconhece nesse lugar, saiba: o que você sente é real. Você não está exagerando. E você não precisa atravessar isso sozinha. Cansa, sim. Mas existe ajuda possível. E você merece alívio”.





