Colestase obstétrica: causas, sintomas e tratamento

Por: Bruna Romanini

Foto: Getty Images

Saiba quais os problemas, os fatores de risco, os sintomas e como tratar a colestase obstétrica

A colestase obstétrica, também conhecida como colestase intra-hepática da gravidez, é uma doença que compromete a função hepática, o fígado,  da gestante e seu início é mais comum no segundo trimestre de gestação. “Sua causa não é bem determinada, mas a herança genética parece ter um papel importante, bem como outros fatores ambientais. Essa doença, apesar de apresentar repercussões na saúde materna, está associada a quadros graves fetais com aumento do risco de morbi/mortalidade perinatal”, explica o o ginecologista obstetra Jurandir Piassi Passos do Lavosier Medicina Diagnóstica.

Os riscos da colestase obstétrica

Cadastre-se

Normalmente, o fígado produz a bile que parte para o intestino e contribui para a digestão. Com a colestase obstétrica isso é reduzido levando ao aumento dos níveis sanguíneos materno dos ácidos biliares. “Estes atravessam a barreira placentária e são os responsáveis por afetar a saúde do feto”, explica Jurandir Piassi Passos.

Assim, os ácidos biliares interferem na função cardíaca fetal predispondo arritmias e também afetam a circulação placentária diminuindo o aporte de oxigênio para o feto podendo levar ao óbito. “Os níveis elevados dessas substâncias ainda aumentam os riscos de parto prematuro por alterarem a contratilidade da musculatura uterina”, destaca Jurandir Piassi Passos.

Tratamento da colestase obstétrica

O tratamento do ponto de vista materno consiste em repouso, sedação leve e dieta pobre em gorduras. “Caso a gestante apresente fadiga, ansiedade e histórico de esteatorréia, a vitamina K pode ser indicada. O tratamento medicamentoso baseia-se na utilização do chamado ácido ursodesoxicólico (UDCA), o qual tem sido considerado o melhor fármaco disponível e com eficácia comprovada no alívio do prurido e normalização dos ácidos biliares. Com a diminuição dos ácidos biliares, alguns autores acreditam que ele acabe por representar um fator de proteção cardiovascular fetal”, conta Jurandir Piassi Passos.

Sintomas da colestase obstétrica

Os sintomas da colestase obstétrica são prurido (coceira) corporal generalizado e intenso. “O prurido começa por volta do final do segundo trimestre gestacional, 30 semanas, inicialmente nas palmas das mão e plantas dos pés e acometendo todo o corpo progressivamente”, afirma Jurandir Piassi Passos.

A icterícia também pode ser um sintoma, mas é raro, atinge somente cerca de 20% das gestantes com a doença. “Outros sintomas associados são: perda de apetite, insônia, fadiga, escurecimento da urina e alteração característica das fezes devido ao aumento do teor de gordura, a chamada esteatorréia”, diz Jurandir Piassi Passos.

Fatores de risco  

Não é possível prevenir a colestase. Contudo, é importante que o ginecologista obstetra fique atento a alguns fatores de risco. “São eles: mulheres com idade acima de 35 anos, gestações múltiplas, histórico de colestase obstétrica em gestações prévias. A taxa de recorrência da colestase obstétrica varia entre 40 a 60% das gestações com variação na intensidade da doença nas gestações subsequentes”, afirma Jurandir Piassi Passos.

Veja mais

Deixe uma resposta

Comentários