“Fui barriga de aluguel da minha melhor amiga, mas ela morreu antes do meu parto”

Por: Bruna Romanini



Confira a seguir o emocionante relato de Jessica, que foi barriga de aluguel para sua melhor amiga

A mãe australiana Jessica Brockie decidiu compartilhar sua emocionante história. Em entrevista ao portal That’s Life ela revelou que foi barriga de aluguel de sua melhor amiga, Bec Arena. As duas eram melhores amigas desde o colégio.

Jessica já era mãe de dois bebês quando sua amiga Bec lhe contou que ela e o marido desejavam muito ter filhos, mas não podiam. Isto porque Bec era portadora de fibrose cística, problema de saúde que afeta os pulmões. Ela então decidiu ser barriga de aluguel para a amiga e o marido dela, mas Bec acabou falecendo antes do nascimento do bebê.

Confira a seguir o emocionante relato de Jessica:

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“Eu era uma criança muito inteligente. Por isso me surpreendi quando vi a nota de um dos meus projetos de escola: 48/50. Então, fui perguntar para a minha professora da sétima série por que não havia tirado 50 e ela mostrou o projeto da minha melhor amiga Bec, o projeto dela tirou 50/50. O projeto dela estava perfeito. ‘Eu sou boa, mas não sou tão boa quanto a Bec’, lembro de ter pensado isso na época.

Mas eu fiquei bem com essa nota maior para ela. Afinal, não conhecia ninguém que merecesse mais do que minha amiga guerreira. Ela nasceu com fibrose cística, uma doença que prejudica muito o pulmão. A Bec precisou lutar mais do que qualquer outra pessoa que já conheci. Nós passamos muito tempo juntas quando estávamos crescendo e até fomos para a mesma universidade.

Ao longo dos anos, nem uma vez eu vi a positividade abandoná-la. Por isso, em 2016 eu fiquei preocupada quando vi um post dela no Facebook em que ela parecia deprimida.

‘O que está acontecendo querida?’, eu perguntei para a Bec por meio de uma mensagem.

Eu havia recentemente me mudado para a África do Sul por causa do trabalho do meu marido e nós já havíamos tido dois filhos lindos, Piper, dois anos, e Oskar, um ano.

Mas na nossa cidade em Townsville na Austrália, a Bec havia acabado de se casar com o Gareth e os dois queriam muito ter um filho, mas não tinham condições de engravidar por causa da fibrose cística de Bec.

‘É que agora eu percebi tudo’, ela respondeu.

Meu coração ficou partido pela minha amiga, mas eu tinha uma solução.

Eles só precisavam de alguém para carregar o filho deles. E eu posso engravidar, eu já havia tido dois filhos saudáveis e correu tudo bem nas minhas gestações!

Conversei com meu marido sobre ser barriga de aluguel para a Bec e o marido, mas no começo ele não gostou da ideia. “Sem chance, você acabou de parar de amamentar nosso segundo filho!”, meu marido respondeu.

Mas eu o conhecia. E sabia que às vezes ele só precisava de um tempo para absorver a ideia. E alguns meses depois, após assistir a um documentário sobre fibrose cística, ele aceitou minha ideia. ‘Nós temos muita sorte’, ele disse, enquanto olhava para nossos bebês. ‘Você deveria ajudar a Bec’.

Assim que contamos para a Bec e o Gareth que nós seríamos barriga de aluguel deles, eles ficaram em êxtase. Como morávamos em outro país, nós quatro discutimos via Skype com um terapeuta sobre este assunto. E nestas conversas, o terapeuta levantou todas as questões possíveis.

‘E se a Bec morrer?’, o terapeuta perguntou em um momento.

A fibrose cística é uma doença muito séria e a expectativa de vida dos portadores dela é de 37 anos. Mas a condição de Bec era muito monitorada e ela estava bem. Nós achávamos que ela ainda iria viver bastante e ver seu filho crescer.

Após essas conversas, o próximo passo foi me engravidar. Eu viajei para a Austrália em maio de 2017 para ser fertilizada com um embrião composto pelo óvulo de Bec e o espermatozoide do Gareth.

Duas semanas após ser fertilizada com o embrião, eu já estava de volta para a África do Sul e fiz um teste de gravidez em uma chamada de vídeo com a Bec. Quando as duas listras de positivo apareceram, ela ficou imensamente feliz!

Eu gravei o coração do bebê batendo no primeiro ultrassom de seis semanas para que a Bec pudesse ouvi-lo.

Eu estava com 16 semanas de gestação quando a saúde de Bec começou a piorar muito. Ela passou a ter muitas infecções no pulmão e dessa vez os remédios não estavam mais funcionando. A saúde dela piorou tanto, que eu decidi ir para a Austrália. Antes de viajar, eu fiz um ultrassom e descobri que esperava um menino. Contei o sexo do bebê para o Gareth por telefone.

No dia em que embarquei para a Austrália, Bec morreu. Ao invés de levar o bebê na minha barriga para que Bec o visse crescendo, eu acabei levando-o para o funeral da mãe. Meu coração ficou partido. Além de ter perdido minha melhor amiga, eu passava a mão em minha barriga e sabia que aquele bebê que crescia dentro de mim iria nascer sem conhecer sua mãe incrível.

No dia 20 de janeiro, quatro meses após a morte de sua mãe, eu dei à luz. Foi muito emocionante ver o primeiro abraço de Gareth em seu filho. ‘Seu nome será Rixon’, Gareth me disse sorrindo.

Antes de Bec morrer, Gareth conseguiu contar para ela que o bebê era menino e ela pediu que fosse chamado de Rixon. ‘Gareth será um pai incrível’, eu disse para meu marido após dar à luz. Eu me senti honrada em dar um presente tão especial para a família da Bec.

E agora, cinco meses após o parto, Rixon é pura fofura e Gareth é um pai muito orgulhoso e amoroso. Bec teria muito orgulho dos seus dois homens. A família realmente foi sua maior conquista”.

As palavras do marido de Bec e do pai de Rixon

“Outro dia eu estava olhando para as fotos de Bec quando bebê e o Rixon é igualzinho a ela! Ele tem os mesmos olhos azuis da mamãe. Bec teria sido a melhor mãe do mundo. Eu sou muito grato a Jessica por ter nos ajudado. Sem o Rixon eu não sei como conseguiria seguir após a morte da minha esposa. Meu filho é uma benção”.

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