Mãe e atriz, Leandra Leal fala de performance de homem nu no MAM

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução

A atriz Leandra Leal comentou o caso da performance do homem nu no MAM e foi criticada

Na terça-feira passada (26 de setembro), um caso gerou polêmica e indignação. Isto porque durante a performance de um artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, uma criança acompanhada da mãe tocou o pé do homem nu.

A performance do artista Wagner Schwartz ocorreu somente na terça-feira (26), na estreia do 35º Panorama de arte Brasileira, tradicional exposição bienal que aborda a arte no país e propõe reflexão sobre a identidade brasileira. De acordo com o MAM, o evento era aberto a visitantes que estivessem no local. O museu também informou que havia sinalização sobre a nudez na sala onde a performance ocorria.

O Movimento Brasil Livre acredita que houve crime no fato da criança tocar o pé do artista nu. Já juízes consultados pelo portal G1 disseram que era preciso mais cautela por parte da curadoria em relação à idade do público, mas que falar em pedofilia é “histeria coletiva”.

Diante desse caso, alguns artistas se manifestaram. A atriz Leandra Leal, que é mãe de Julia, comentou o assunto em suas redes sociais. Veja o que ela disse:

“A representação artística da nudez sempre foi acompanhada de polemicas. Até que ponto pode-se mostrar um corpo nu? Onde essas obras podem ser exibidas? Quem pode ver? Essas respostas revelam bastante sobre cada sociedade e seu tempo.

Hoje a imagem do corpo nu esta banalizada, disponível a um clique solitário e secreto. No entanto, a sua exibição, mesmo que dentro de um contexto artístico e obedecendo as regras de restrição que a sociedade exige, ainda desperta polêmica.

Defender a representação do corpo nu numa obra arte através da própria história da arte me parece não ser a melhor estratégia nesse momento. Dizer que nem sempre um corpo nu despertou ira, vergonha e polemica, talvez não sensibilize alguém pouco familiarizado com a arte. E isso é mais um fruto perverso da desigualdade e do nosso deficit educacional. O que acho importante lembrar e lutar agora é pela liberdade que todos nós desfrutamos. Essa liberdade, no entanto, respeita as regras impostas pela sociedade – como informação, lugar, indicação, classificação. A partir dessas balizes, o resto é exercício de escolha. Precisamos ter maturidade para respeitar a opinião do outro, mas nunca atacar o seu lugar de expressão. Eu respeito a democracia do meu país, respeito os artistas do meu país, respeito quem não admite ver a imagem de um corpo nu, assim como temos que respeitar espaços que cumprem as regras e expõe num contexto artístico a imagem do nosso corpo.

De resto, se nada disso se concretizar, pelo menos tenho certeza que todos nós – a favor ou contra a exposição – estaremos juntos no carnaval”.

Polêmicas

O comentário de Leandra Leal sobre o caso também acabou gerando polêmica. Alguns internautas concordaram com a atriz. “Melhor explanação que li sobre o assunto. Você arrasa”, disse um internauta.

Enquanto outros criticaram seu posicionamento e inclusive decidiram deixar de seguir a atriz nas redes sociais.Fora do “contexto artístico” a criança vai saber o que fazer quando um adulto nu pedir para ela tocar seu corpo?”, questionou um internauta.

Já outros disseram que o problema não estava no homem nu, mas sim no fato de uma criança estar presente na performance e interagir com ele: “O que chama atenção no vídeo é o constrangimento da criança e a insistência da mãe para toca-lo… a criança nem entendeu a proposta de usar o corpo como um objeto da Lygia Clark… a questão não foi o corpo nu, mas a adequação à interação com a criança levada ali pela sua mãe”, disse um internauta. “Não vejo problema em exposição do NU, a questão não foi essa, mas sim colocar uma criança neste contexto”, afirmou outro internauta.

Por fim, alguns internautas questionaram se a atriz deixaria a filha ver tal performance. “Leandra, você levaria sua filha para uma performance dessa?”.

Veja o post de Leandra Leal a seguir:

 

A representação artística da nudez sempre foi acompanhada de polemicas. Até que ponto pode-se mostrar um corpo nu? Onde essas obras podem ser exibidas? Quem pode ver? Essas respostas revelam bastante sobre cada sociedade e seu tempo. Hoje a imagem do corpo nu esta banalizada, disponível a um clique solitário e secreto. No entanto, a sua exibição, mesmo que dentro de um contexto artístico e obedecendo as regras de restrição que a sociedade exige, ainda desperta polêmica. Defender a representação do corpo nu numa obra arte através da própria história da arte me parece não ser a melhor estratégia nesse momento. Dizer que nem sempre um corpo nu despertou ira, vergonha e polemica, talvez não sensibilize alguém pouco familiarizado com a arte. E isso é mais um fruto perverso da desigualdade e do nosso deficit educacional. O que acho importante lembrar e lutar agora é pela liberdade que todos nós desfrutamos. Essa liberdade, no entanto, respeita as regras impostas pela sociedade - como informação, lugar, indicação, classificação. A partir dessas balizes, o resto é exercício de escolha. Precisamos ter maturidade para respeitar a opinião do outro, mas nunca atacar o seu lugar de expressão. Eu respeito a democracia do meu país, respeito os artistas do meu país, respeito quem não admite ver a imagem de um corpo nu, assim como temos que respeitar espaços que cumprem as regras e expõe num contexto artístico a imagem do nosso corpo. De resto, se nada disso se concretizar, pelo menos tenho certeza que todos nós - a favor ou contra a exposição - estaremos juntos no carnaval.

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