Mãe revela por que não deixou o filho ir a própria festa feita pelo pai

Por: Bruna Romanini



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Foto: Reprodução Facebook – O pai Roberto Coutinho e a madrasta na festa que organizaram para Miguel

“Comecei a perceber que a festa não era para o meu pequeninho”, disse a mãe Mara Gadelha

Desde o dia 22 de abril, uma postagem está viralizando no Facebook. Trata-se do post do pai Roberto Coutinho. Com mais de 98 mil curtidas e 40 mil compartilhamentos o pai desabafou sobre a festa de cinco anos que organizou para seu filho Miguel e na qual o menino não compareceu.

Segundo Roberto, ele organizou a festa, mas a mãe de seu filho, de quem é separado, não deixou o menino ir à festa porque ela estava se sentindo indisposta. Roberto também contou que a mãe não deixou que ele buscasse o filho para leva-lo a festa. Mesmo sem o aniversariante, Roberto decidiu fazer a festa e postou detalhes da celebração no Facebook junto com o desabafo sobre a mãe de seu filho.

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A equipe do portal BebêMamãe conversou com a mãe de Miguel, a bacharel em direito, Mara Gadelha, sobre porque ela não deixou que o filho fosse para a festa organizada pelo pai. Confira o relato de Mara a seguir:

“A festa não era para meu filho”

Mara relatou que ao longo dos anos de vida do filho recebeu pouca ajuda de Roberto, tanto financeira quanto emocional, na criação de Miguel. Roberto nunca pagou pensão para o menino. “A minha relação com o pai do Miguel terminou quando ele tinha 14 dias de nascido, logo no início da vida dele, o pai do Miguel o via a cada um mês. Quem sempre foi muito presente foi a avó paterna que de certa forma tentava suprir essa ausência do pai, não tenho o que reclamar dela. Antes dos quatro anos do Miguel, ele via o filho quando queria. Às  vezes ele via o Miguel em uma semana, às vezes ele via o filho após 20 ou 30 dias sem vê-lo”, contou Mara.

“Então, foram quatro anos de muita procura, muita humilhação certas vezes, pedidos de ajuda não só financeiros, mas também emocionais. Quando chegou o ano passado que eu entrei em um relacionamento, eu vi a aproximação dele (Roberto) e achei ótimo e pensei: ‘puxa talvez por esse relacionamento ele vai se fazer presente’. Mas todas as conversas que tivemos sobre ele me ajudar emocionalmente, financeiramente… nenhuma surtiu efeito. Foram infrutíferas todas as tentativas”, relatou Mara.

Mara está grávida de sete meses de seu segundo filho e relatou que realmente se sentiu indisposta no dia da festa. Ainda de acordo com Mara, a decisão de não deixar o filho ir para festa ocorreu após ela ter percebido que a festa não seria para o menino. “Comecei a perceber que a festa não era para o meu pequeninho, eu fui vendo que a festa era para o Roberto mostrar aos outros que era um bom pai. E quando ele falou que com meu filho presente ou não a festa ocorreria, foi ai que eu decidi que ele não iria”, contou Mara.

Mara informou o filho que ele não iria para a festa e de acordo com ela, o pequeno não ficou triste com a decisão. Ele apenas pediu para ir para o shopping e o marido de Mara levou o menino para brincar no local. “Em nenhum momento eu menti para meu filho, eu falei que o papai não tinha enganado ele e que a festa estava ocorrendo naquele dia, mas que eu não estava disposta a levar ele na festinha. Eu perguntei se ele tinha ficado triste, ele não chorou, não fez pirraça e ele ficou feliz porque ia brincar no shopping e comer o hambúrguer dele”, contou Mara.

Ainda segundo a mãe, a última vez que o pai falou com o filho foi no dia 17 de abril, data do aniversário de Miguel. “E isso não foi uma exigência minha. Eu só não permiti a ida do Miguel a festa, mas nunca proibi o contato dele com o pai. Foi uma decisão do pai não vê-lo mais”.

Depressão, ameaças e xingamentos após a postagem

De acordo com Mara, o post de Roberto nas redes sociais trouxe uma série de consequências negativas para sua vida. Ela está no final da gestação de seu segundo filho e sofreu uma série de ataques por meio de mensagens enviadas na internet. “Sofri todos os ataques que você puder imaginar, foram várias pessoas me mandando mensagens pelo Messenger do Facebook me denegrindo, me chamando de piranha e dizendo que eu tinha que perder a guarda do meu filho. Me desrespeitaram de todas as formas possíveis, isso me causou grande tristeza e expôs a mim e ao meu filho”.

Chorando, Mara recordou-se da mensagem mais assustadora que viu :“O que mais me chocou, foi uma mulher falando que meu filho tinha que morrer porque ele não poderia conviver com uma mãe como eu. Eu passei noites e noites em claro cuidando do meu filho, as pessoas não sabem as coisas que você passa. Eu só pedi a Deus para me dar mais força para criar meu filho. Está doendo muito! Hoje o que eu me apego é olhar para meu filhote todo dia com um sorrisinho e saber que ele está feliz. E a minha pergunta constante para ele é se ele está feliz”, contou Mara.

“Não é fácil criar um filho, você educa, é uma personalidade ali que você tem que estar todo dia cuidando para ver como vai se tornar um adulto, não é fácil. E financeiramente também não é fácil. Por mais que eu tenha trabalhado, em alguns momentos eu necessitava do apoio financeiro do Roberto e não estava ali, eu me senti humilhada durante esses quatro anos e mais ainda quando ele fez esta postagem. Eu não pedi em momento nenhum a concordância de ninguém com a minha atitude. Mas se me perguntarem se eu me arrependo, eu não me arrependo”, relatou Mara.

Após a postagem, Mara ainda precisou buscar ajuda psicológica, pois desenvolveu um início de depressão. “Está sendo cansativo para mim, eu estou no sétimo mês e não consigo parar para pensar como vai ser a chegada do meu filho, eu não consigo priorizar mais nada da minha vida que não seja essa publicação”, relatou Mara.

Alimentos e escola do filho

Mara relatou que Roberto nunca pagou pensão para o filho.Em quatro anos eu nunca ingressei com nenhuma ação judicial porque eu acreditei que a gente poderia resolver isso sem envolver ninguém, eu não achei que precisaria entrar com uma ação judicial e eu retardei muito esse pedido alimentício”, contou Mara.

No início, segundo Mara, ela e Roberto haviam combinado que ele ajudaria proporcionando metade  da quantidade de leite especial que o menino necessitava, pois ele tem alergia a uma proteína do leite. Mas isto não aconteceu. “Miguel gastava uma lata de leite a cada dia, então nessa época acordamos que ele daria metade das quantidades do leite e não aconteceu, quem me ajudava era a mãe dele. Inúmeras conversas minhas solicitando que ele mandasse o leite do filho. No começo o leite era a única forma dele ajudar financeiramente e nem isso ele  cumpria como tínhamos combinado”.

“Há cerca de um ano acordamos que o Roberto veria o Miguel a cada 15 dias e também combinamos que a cada 15 dias ele levaria alimentos para o filho. Ele trouxe alimentos na primeira quinzena e depois não cumpriu mais. O Miguel também entrou na escolinha com um ano e oito meses. Até os quatro anos dele, era apenas eu quem pagava a escola. Ele começou a ajudar com metade da mensalidade apenas no ano passado. Ele pagava direto com a escola, mas por algumas vezes eu fui cobrada pela escola falando que faltava metade do valor. Ele paga um plano de saúde do filho, mas o Miguel também tem um plano da minha parte”, contou Mara.

Ação na justiça

Mara está tomando medidas jurídicas diante da postagem. “As medidas jurídicas já estão sendo tomadas, não só as medidas contra o pai do Miguel, mas também contra todas as pessoas da família que postaram comentários difamando a Mara. A Mara mal consegue hoje andar pelas ruas, ela passou a ser achincalhada por pessoas que ela sequer sabe quem são. Todas as medidas serão tomadas com ação indenizatória e ação criminal contra quem postou algo ofensivo contra a honra da Mara”, explica Glaucia de Oliveira Barbosa, especialista em direito penal e direito de família.

Posicionamento do pai

Sobre as respostas dadas por Mara diante da postagem, Roberto deu o seguinte depoimento para a revista Crescer:

“No dia em que a festa estava marcada, a Mara me pediu sim, três vezes, que eu cancelasse tudo, porque ela estava se sentindo indisposta. Eu só consegui descobrir onde ela tinha levado nosso filho às 13h e ela sequer desceu para falar comigo. Conversei com o marido dela e ele me disse que o Miguel não iria… Prosseguimos com a festa porque já não dava tempo de cancelar, estava tudo encomendado e pago, alguns convidados eram de longe. A festa nunca foi para mim, era para ele, e esperança de que ele estaria presente a gente teve até o final.

Eu não esperava toda essa repercussão, aquilo foi só um desabafo, tanto que não coloquei nome de ninguém. Tive o cuidado de não expor o nosso filho. Não me arrependo, pois recebi mensagens de muitos pais na mesma situação que eu e que não tiveram a mesma coragem de se pronunciar. Por bem ou por mal, em um divórcio, nós sempre seremos julgados, independente do que façamos.

Estou acompanhando a maior parte do que a Mara tem dito e discordo em vários pontos, tenho provas da minha participação na vida do Miguel. Nossa relação é muito boa, muitos foram os fins de semana juntos, tenho fotos em feira de ciências, festa junina, copa do mundo, aniversário, viagens. Também tenho notas que comprovam que ajudei com o leite e com alimentos. Depois de tudo isso, ainda terei que me humilhar para que ela me deixe ver o meu filho, mas o meu papel de pai eu vou fazer, sempre vou ajudar.”

Ele continuou com seu posicionamento em outro texto postado nas redes sociais.

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