Esta mãe bebia enquanto estava grávida. Veja como sua filha está aos 43 anos

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução Washington Post

Karli sofre com um forte atraso mental devido à Síndrome Alcóolica Fetal, causada por sua mãe ter bebido na gestação

Em 1973, Kathy Mitchell deu à luz a sua segunda filha, Karli, ela tinha apenas 18 anos. E assim como na gestação anterior, Kathy bebeu durante toda a gravidez. Ela se lembra que naquela época as pessoas costumavam dizer: “Se você quer ter um bebê gordinho, beba um copo de cerveja por dia” e “vinho tinto é ótimo para o sangue do bebê”. E Kathy, que já costumava beber mesmo, continuou com este hábito na gravidez.

Ela bebia quando estava com os amigos e em um final de semana chegava a consumir uma garrafa inteira de vinho ou quatro ou cinco cervejas.  E beber não era seu único comportamento de risco. “Eu não me alimentava bem e ainda fumava, nada disso contribui para uma gravidez saudável”, disse Kathy em entrevista ao The Washington Post.

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Durante sua primeira gestação, apesar destes comportamentos, o filho de Kathy nasceu saudável e se tornou um adulto normal. Contudo, Karli, a segunda filha, não teve a mesma sorte.

Problemas no desenvolvimento

Logo após o nascimento, Karli apresentou alguns pequenos problemas de saúde que não causaram maior preocupação para os médicos. Contudo, conforme os meses se passaram a situação foi piorando.

Karli começou demorar para sentar e para atingir outros marcos do desenvolvimento importantes. Na época, os médicos disseram que isto ocorreu devido às fortes dores de ouvido da bebê. Mas os problemas continuaram piorando, e ela passou a ter dificuldades para andar e falar. Os médicos chegaram a achar que se tratava de paralisia cerebral, mas logo isto também foi descartado.

Apenas em 1989, quando Kathy levou a filha para o Hospital da Universidade de GeorgeTown, em Washington nos Estados Unidos, que ela recebeu o diagnóstico correto: Síndrome Alcoólica Fetal. Nesta época Karli já tinha 16 anos, mas era completamente diferente dos demais adolescentes. Ela era incapaz de dizer a hora, andar de bicicleta e não conseguia entender nada sobre dinheiro e valores e nem mesmo conceitos abstratos.

A Síndrome Alcoólica Fetal pode causar uma série de complicações na criança, como problemas no desenvolvimento físico, problemas no crescimento e dificuldades para atingir marcos importantes como sentar. E também pode causar deficiência mental.

Esta síndrome é a maior causa de deficiência mental entre bebês e crianças. Somente no Brasil cerca de 50 mil bebês sofrem com esta síndrome todos os anos. No mundo este número chega a um milhão. E tudo isso poderia ser evitado se a mães não bebessem durante a gestação.

De acordo com a Academia Americana de Pediatria e a Organização Mundial de Saúde não existe uma quantidade de álcool segura durante a gravidez. Portanto, o orientado é NÃO consumir bebidas alcoólicas na gestação.

Karli hoje em dia

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Atualmente, Karli é uma mulher de 43 anos, mas com a mentalidade de uma criança. Na casa em que vive com a mãe e o padrasto, ela coleciona bonecas, bolsas e livros de colorir e de figurinhas.

Apesar de já ser uma mulher, Karli não é capaz de se socializar normalmente com outros adultos e pode ser manipulada facilmente e também não é capaz de prever comportamentos perigosos. Ela só consegue seguir uma regra por vez. Ela gosta de vestir roupas bonitas, mas precisa ser constantemente lembrada de escovar os dentes. “Eu amo minha filha. Ela é minha menina querida. Mas não se passa um dia em que eu não me pergunte: ‘e se eu não tivesse bebido na gravidez?’”, disse Kathy.

Infelizmente, esta síndrome não possui cura, o tratamento pode apenas ajudar a reduzir os sintomas. Mas ela tem uma prevenção muito simples que é: NÃO BEBER NA GRAVIDEZ!

E foi justamente por isso que Kathy, que hoje é vice-presidente da Organização Nacional da Síndrome Alcóolica Fetal nos Estados Unidos, decidiu contar sua história. “Eu acredito que seria uma pessoa terrível seu eu não fizesse tudo em meu poder para evitar que isto ocorra com outra criança”, conclui Kathy.

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