O que os assassinos fizeram pra atrair as meninas é um alerta pra todos os pais

Por: Bruna Romanini



Foto: Reprodução

Os homens usaram doces para atrair as duas meninas de três anos para um barraco e cometer o crime

Nos últimos dias, um caso chocou todo o Brasil. No dia 12 de outubro, Beatriz Moreira dos Santos e Adrielly Mel Severo Porto, ambas de três anos, foram encontradas mortas dentro do compartimento de cargas de um Fiat Fiorino.

De acordo com a família, as meninas brincavam na porta de casa no dia 24 de setembro quando desapareceram. Após exames nos corpos encontrados, os policiais descobriram que se tratavam das meninas e que antes de serem mortas, elas haviam sido estupradas.

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Dois suspeitos foram presos na última sexta-feira (20), os homens são Marcelo Pereira Souza e Everaldo de Jesus Santos e eles confessaram o crime para a polícia. A prisão ocorreu após a mulher de Souza ter confessado o crime dos dois. O homem teria confessado o crime para a esposa. “Ela (mulher de Souza) disse que não estava mais conseguindo dormir em razão desses fatos”, afirmou a delegada Ana Paula Rodrigues do DHPP (Departamento Estadual de Homicídio e Proteção à Pessoa).

Ainda segundo a mulher, os homens atraíram as meninas para um barraco usando doces. “Eles atraíram as meninas para um barraco. De que forma? Eles ofereceram doces para as duas e pediram para que elas os acompanhassem até um barraco onde teria mais doces”, disse a delegada.

A importância de alertar seu filho

Este triste caso mostra porque é essencial sempre conversar com seu filho e alertá-lo desde cedo sobre possíveis criminosos.  É interessante fazer este alerta não apenas para estranhos, mas também para pessoas com comportamentos suspeitos. Mesmo no caso das meninas, os assassinos eram homens do bairro, que as meninas já conheciam e não eram estranhos.

Um boa maneira de alertar seu filho é falar sobre as “pessoas malandras”. Este é um método criado por Pattie Fitzgerald, criadora da ONG Safely Ever After, que tem como objetivo criar alguns métodos para tentar proteger as crianças de possíveis violências.

Pattie substitui a famosa ideia do “estranho” pela da “pessoa malandra”. “Na maioria das vezes ensinamos as crianças a não falarem ou interagirem com estranhos. Mas isso não é muito efetivo porque as crianças acham que o estranho será alguém perigoso, com aparência assustadora, mas as estatísticas mostram que se alguém vai machucar uma criança, ele geralmente não parece perigoso, ele é charmoso, simpático, parece um amigo, não um estranho. Sem contar que muitas vezes quem machuca a criança é alguém que ela já conhece, um amigo da família ou mesmo um parente. Então, criei o método da ‘pessoa malandra’”, explicou Pattie em entrevista ao portal Today.

A ideia do método de Pattie é ajudar as crianças a desconfiarem de atitudes suspeitas que um adulto possa ter em relação a ela. “Afinal, a violência contra a criança pode vir de alguém que você conhece muito bem, conhece pouco ou nunca viu na vida. Então, não é necessariamente de um estranho”, conclui Pattie.

Alguns dos preceitos do método de Pattie são:

  • Lembre seu filho de que adultos seguros não pedem ajuda para crianças e não pedem para crianças irem a determinado lugar com eles;
  • Nunca deixe seu filho sem supervisão;
  • Substitua a palavra “estranho” por “pessoa malandra”. Lembre-se: não é a aparência ou quanto você conhece da pessoa que irá determinar se ela é segura ou não, mas sim as suas atitudes em relação à criança;
  • Crie regras de segurança com seu filho. E deixe claro que qualquer pessoa que tentar quebrar essas regras de segurança ou machucar seu filho de alguma forma não é seguro, independentemente de ser alguém conhecido ou não;
  • Ouça seu filho e preste atenção às suas atitudes. Se ele não quiser ficar próximo de alguém, babá, professora, amigo da família ou mesmo um parente, desconfie.
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