Mãe desabafa sobre a violência obstétrica que sofreu

Por: Bruna Romanini

Foto: Reprodução

“A enfermeira empurrou meu bebê de volta para minha vagina”, diz mãe Caroline Malatesta

No parto de seu quarto filho, a mãe americana Caroline Malatesta sofreu violência obstétrica. E apesar da dor, física e emocional, ela decidiu que não iria se calar.

Para ajudar a si mesma e a outras inúmeras mulheres que sofreram violência obstétrica, Caroline optou por denunciar o que ocorreu com ela na imprensa e também processou o hospital no qual teve seu bebê. “A decisão por falar sobre meu caso foi difícil. Eu ficava preocupada, achando que as pessoas iriam achar que eu estava sendo dramática, pois parece que não é socialmente aceito você reclamar do seu parto quando o seu filho nasce saudável. Foi difícil ter que falar sobre a minha vida pessoal, mas certamente a maior dificuldade de todas foi ter que ouvir o depoimento das enfermeiras que me atenderam. Foi assustador ouvir que as enfermeiras e o administrador do hospital realmente achavam que tinham direitos sobre o meu corpo”, disse Caroline em entrevista ao Yahoo.

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A seguir, veja o depoimento de Caroline sobre a violência obstétrica que sofreu em seu parto:

“Decidi ter meu filho em um hospital que parecia apoiar muito o parto com respeito. Conversei com o médico do hospital e ele estava disposto a apoiar minha decisão pelo parto com o mínimo de intervenções possíveis, no qual eu poderia me movimentar e ter o bebê na posição que considerasse melhor para mim.

Porém, quando entrei em trabalho de parto, fui para aquele hospital e o médico não estava lá naquele dia. E o restante da equipe não parecia ligar para as questões sobre as quais havia conversado com o meu médico.

Assim que cheguei a enfermeira me mandou ficar deitada e colocou um monte de fios em volta de mim, ao invés de deixar eu me movimentar a vontade. Quando pedi pela banheira para o parto que o médico com o qual me consultei antes havia dito que teria, a enfermeira disse que não tinha espaço para uma banheira.

Eu continuei pedindo a ela para deixar que eu me movimentasse e ficasse nas posições que quisesse, mas a enfermeira ignorou meus pedidos e me mandou ficar na cama, como se eu estivesse sendo uma criança desobediente.

Eu continuei insistindo para a enfermeira que aquela posição que ela havia me colocado era mais dolorida. Mas cada vez que eu falava a enfermeira ficava mais irritada. Ficou claro para mim que aquilo não era sobre saúde ou segurança. Era uma luta de poder.

Quando minhas contrações mais fortes começaram, eu me virei em uma posição que era mais confortável para mim. Foi quando minha bolsa estourou e meu bebê começou a sair. E foi aí que a violência obstétrica piorou. A enfermeira chegou e ao invés de me ajudar, ela forçou meu bebê de volta para a minha vagina! E outras enfermeiras vieram ajuda-la.

Eu tentei desesperadamente tirar as enfermeiras de lá. Mas as enfermeiras seguraram minhas mãos e apertaram a cabeça do meu bebê de volta para minha vagina, para fazer o parto demorar mais. Eles impediram meu bebê de nascer por 6 minutos e a dor foi insuportável. Isto me deixou com uma condição chamada neuralgia do pudendo, dor causada por uma disfunção do nervo. Após o parto ainda me deram um medicamento sem o meu consentimento.

Foi assim que meu querido filho veio ao mundo. Como se dar à luz já não fosse difícil o suficiente, eu dei à luz em meio a uma luta física contra as pessoas que deveriam estar me ajudando naquele momento”.

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