Parto normal: Como é? Dói muito? Tire dúvidas e desvende mitos

Por: Bruna Romanini

parto normal

Foto: Reprodução – Saiba tudo sobre parto normal a seguir

Entenda como é o parto normal, se dói muito, seus benefícios para a mãe e o bebê e muito mais

O parto normal proporciona uma série de benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Porém, ele também gera muitas dúvidas. A seguir, esclareça todas as suas questões sobre o parto normal.

Como é o parto normal?

O parto normal também é conhecido como parto vaginal. Ele é um processo natural no qual o bebê nasce passando pelo canal vaginal e pela vagina. Este tipo de parto proporciona uma série de vantagens para a mãe e o bebê. O tempo de duração do parto normal pode variar bastante, mas geralmente dura entre seis e doze horas.

O parto normal pode ser dividido em três estágios: o primeiro é o de dilatação do colo do útero, o segundo é o de expulsão e o terceiro é a saída da placenta.

parto normal como é

Foto: Reprodução – Entenda como é o parto normal

Os estágios do parto normal

O parto normal possui três fases. São elas:

  • Dilatação do colo do útero
  • Expulsão do bebê
  • Expulsão da placenta

Dilatação do colo do útero: O primeiro estágio do parto normal é a dilatação do colo do útero. Esta fase irá durar até a mulher dilatar 10 centímetros. Esta é a fase mais longa do parto e costuma durar entre seis e doze horas.

Esta fase começa com contrações espaçadas, mas regulares com vários minutos entre cada uma delas. Conforme o parto avança, o tempo entre cada contração diminui.  Quando começar a sentir contrações regulares é importante entrar em contato com seu médico.

Porém, saiba que geralmente o ideal é ir para o hospital, caso seu plano seja ter um parto hospitalar, apenas quando estiver com três contrações a cada dez minutos.

Nesta fase se sentir fome é interessante comer e beber água já que é importante ter energia para todo o processo do parto.

Também é válido tentar dormir ou ao menos relaxar entre as contrações. Entre as contrações também é indicado fazer exercícios de respiração, ganhar massagens e tomar um banho com água morna para aliviar o incomodo.

Quando você chegar a 10 centímetros de dilatação estará pronta para a próxima fase do parto normal.

parto normal dilatação

Foto: Reprodução Kidspot – Estas imagens te ajudam a saber o quanto a mulher pode dilatar

Expulsão do bebê: A segunda fase do parto normal é a expulsão do bebê. É natural nesta fase que a mulher sinta a necessidade de empurrar, trata-se de uma sensação que lembra a vontade de fazer cocô. Se é o seu primeiro parto normal, esta fase costuma durar no máximo três horas. Caso você já tenha passado por outros partos normais, esta fase costuma durar no máximo duas horas. Mas saiba que geralmente esta fase dura entre 20 e 40 minutos.

Esta parte do parto é a mais intensa e também a mais curta, mas os profissionais de saúde, assim como o acompanhante que estiver com você, vão ajuda-la a passar por ela da melhor forma possível. A fase de expulsão do bebê acaba quando o bebê nasce completamente.

Expulsão da placenta: Após o nascimento do bebê, há a expulsão da placenta. Nesta fase a mulher sente uma cólica mais fraca do que na dilatação e acredite, para quem acabou de parir um lindo bebê com cerca de 3 quilos, a saída de uma placenta pesando aproximadamente 400 gramas não é um problema.

Entenda os tipos de partos normais

O parto normal pode acontecer de diferentes maneiras. Existem diversos tipos de partos normais. Quando o parto normal é feito sem nenhum tipo de interferência médica, ou seja, sem anestesia, sem episiotomia, sem medicamentos para acelerar o parto, entre outros, o parto é chamado de natural.

O parto natural pode ocorrer tanto em casa, como no hospital. Vale lembrar que quando o parto natural ocorre em casa há todo um planejamento e uma equipe médica que ajuda a garantir que o nascimento ocorra de forma segura para a mãe e o bebê. Além disso, também há um plano B, para que a parturiente possa ir para o hospital caso haja alguma complicação.

O parto natural ainda pode ocorrer em diferentes posições e lugares, um deles pode ser na água, em uma banheira preparada para o parto.

Porém, quando há algum tipo de interferência médica, como a anestesia, medicamentos para acelerar o parto, a episiotomia, entre outros, trata-se de um parto normal. Este tipo de parto ocorre no hospital.

Outro termo muito comum é o parto VBAC (vaginal birth after ceserean – parto vaginal após uma cesárea, em tradução livre). O VBAC se refere ao parto normal ou natural que ocorre após a mulher ter passado por uma cesárea.

Outro termo muito comum é o parto humanizado. O parto humanizado nada mais é do que aquele parto que respeita a mãe e o bebê. “Parto humanizado é um conceito que envolve basicamente o respeito que a mulher precisa no parto. Este parto reconhece a real necessidade da mãe e do bebê no parto. Todas as mulheres deveriam ter direito ao parto humanizado”, explica o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, defensor dos conceitos de Parto Humanizado e fundador da Parto Sem Medo.

Assim, o parto humanizado pode ser natural, normal, VBAC e até mesmo uma cesárea necessária.

O parto normal é a melhor opção para a mãe e o bebê?

Quando mãe e bebê estão bem, o parto normal é sim a melhor opção para eles. Isto porque ele proporciona uma série de benefícios para a mulher e o filho. A cesárea é indicada apenas em algumas situações específicas.

Quais as vantagens do parto normal?

O parto normal proporciona uma série de benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê.

As vantagens do parto normal para a mãe são:

  • Menor risco de morte;
  • Menor risco de infecção;
  • O leite desce mais rápido;
  • Recuperação mais rápida.

Menor risco de morte: Segundo o Ministério da Saúde, que acompanhou parturientes entre 2000 e 2011, o risco de morte materna de quem realiza cesárea é cerca de 3,5 vezes maior do que das mulheres que optaram por parto normal.

Menor risco de infecção: O risco de infecção de mulheres que fizeram o parto normal é muito menor do que aquelas que optaram pela cesárea. Isto porque a cesárea é uma cirurgia e o parto normal não. Segundo o Ministério da Saúde, que acompanhou parturientes entre 2000 e 2011, o risco de infecção materna após o nascimento do bebê é cinco vezes menor em mulheres que optaram pelo parto normal do que aquelas que fizeram cesárea.

O leite desce mais rápido: A ocitocina liberada durante o parto normal não é importante somente para o bebê, ela também é essencial para a mamãe. Este hormônio irá ajudar para uma descida mais acelerada do leite materno.

Recuperação mais rápida: A mulher que passa pelo parto normal terá uma recuperação muito mais rápida do que aquela que fez uma cesárea. Isto porque a cesárea é um procedimento cirúrgico no qual diversos tecidos são cortados, e no parto normal não há nada disso.

As vantagens do parto normal para o bebê são:

  • O recém-nascido respira melhor;
  • O recém-nascido fica mais calmo e alerta;
  • Menor risco de obesidade para o recém-nascido.

Recém-nascido respira melhor: O processo de passagem do bebê pelo canal vaginal é importante porque esta compressão ajuda o pequeno a colocar para fora todo o líquido dos pulmões. Assim, ele já nasce respirando melhor. “O trabalho de parto é o processo final de amadurecimento pulmonar”, constata a médica Carmen Simone Grilo, professora do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Assim, os riscos de complicações respiratórias são menores.

Recém-nascido fica mais calmo e alerta: A ocitocina é um hormônio liberado pela parturiente ao longo do processo do parto normal.  Ao entrar em contato com a ocitocina o bebê nasce mais calmo e também alerta.

Menor risco de obesidade para o recém-nascido: Uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) comprovou que o parto cesárea aumenta o risco de obesidade em adultos jovens. Isto porque a cirurgia faz com que ocorram mudanças na microbiota intestinal dos bebês. Afinal estas crianças nascidas por meio de uma cesárea não passaram pelo canal vaginal, como acontece com os pequenos que vieram ao mundo via parto normal.

O parto normal dói muito?

A dor é uma das principais e mais temidas questões quando o assunto é parto normal. Primeiramente, é importante deixar claro que a dor do parto normal pode ser aliviada de diversas formas. Ela pode ser aliviada com algumas atitudes não medicamentosas, como massagens, banhos, entre outras.

E, além disso, também há a opção da analgesia que fará com que a mulher não sinta mais nenhuma dor durante o parto. Quando a mulher toma uma anestesia no parto normal, ela inclusive precisará de uma orientação do médico sobre quando deve fazer força.

Quanto à dor do parto normal, ela é diferente em cada um dos três estágios do nascimento: dilatação, expulsão do bebê e expulsão da placenta.

A dor durante a dilatação ocorre devido às contrações, que se iniciam mais espaçadas entre si e mais fracas e depois tornaram mais próximas e intensas. “A contração é uma sensação de pressão que se inicia na região lombar, é semelhante à cólica menstrual”, explica a ginecologista obstetra Helaine Milanez, médica associada do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Esta dor acontece porque a musculatura do útero está se contraindo para que o bebê possa sair.

Depois, ocorre a dor da fase de expulsão do bebê. Este é o momento é o mais dolorido porque a cabeça do pequeno está fazendo pressão nos órgãos pélvicos. Mas por sorte, este também é o momento mais curto do parto normal. A expulsão costuma durar entre 20 e 40 minutos e termina com o nascimento do bebê.

Por fim, há uma dor pouco intensa que é a expulsão da placenta. Ela é basicamente uma cólica mais fraca do que na dilatação. Mas acredite, para quem acabou de parir um lindo bebê com cerca de 3 quilos, a saída de uma placenta pesando aproximadamente 400 gramas não é um grande problema.

É importante lembrar que a cesárea pode não causar dor no momento do parto. Porém, nos dias após o nascimento a grande maioria das mulheres relata que sente dor. Sendo que no pós-parto normal, o incomodo é muito menor e muitas sequer o tem. Além disso, com a analgesia é possível passar pelo parto normal sem dor.

As melhores posições para o parto normal

A melhor posição para o parto normal é aquela na qual você se sente confortável. O profissional de saúde que estiver com você irá te ajudar a achar a melhor posição. Algumas das posições mais comuns e que ajudam no nascimento do bebê são: sentada em uma banquetinha própria para o parto; deitada de lado e de cócoras.

Caso você esteja com muita dor nas costas, ajoelhar e parir ‘de quatro’ pode ser uma boa opção.

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Foto: Reprodução Youtube – Uma das posições mais comuns no parto normal

Bebê com o cordão umbilical em volta do pescoço pode nascer de parto normal?

Sim! Este é um mito muito comum em relação ao parto normal. Na verdade, o cordão umbilical em volta do pescoço é algo muito comum entre os bebês e ocorre com cerca de um em cada três pequenos.

O cordão se enrola e se desenrola em torno de várias partes do corpo do bebê na gestação, isto acontece por causa das movimentações do feto na barriga e é normal. O cordão inclusive pode se enrolar mais de uma vez no pescoço e outras partes do corpo do bebê e mesmo assim continua não sendo indicação para cesárea.

É importante deixar claro que cordão em volta do pescoço do bebê NÃO significa que ele está sendo enforcado pelo cordão! Além disso, o cordão é facilmente retirado pelo médico na hora do nascimento.

Apenas em algumas raríssimas situações a circular de cordão é indicação de cesárea. Isto ocorre quando o cordão se enrola muito em torno do bebê fazendo com que ele fique “curto” para que o pequeno possa descer pelo canal de parto. Desta forma, ele se torna cada vez mais apertado e acaba comprometendo a circulação de sangue, e então, reduz a frequência cardíaca do bebê.

Para evitar esta complicação, o médico realiza um exame chamado cardiotocografia que acompanha a frequência cardíaca do bebê e as contrações da mãe ao longo do trabalho de parto. Caso o médico note uma queda abrupta nos batimentos cardíacos do bebê, repetindo-se frequentemente em todas as contrações, isto pode ser uma indicação para cesárea.

Foto: Reprodução – Ilustração mostra o cordão em torno do pescoço do bebê quando ele ainda está na barriga

A vagina muda muito após o parto normal?

Logo após o parto normal, sua vagina ficará mais “aberta” e também um pouco mais macia. A vagina ainda pode ficar um pouco inchada e machucada. Saiba que tudo isso é normal e que com o passar dos dias é esperado que a vagina volte ao que era antes do parto.

É importante conversar com seu médico sobre a realização de exercícios do assoalho pélvico, estes exercícios podem ajudar a tonificar os músculos da vagina e do seu assoalho pélvico. Este tipo de exercício também ajuda a prevenir a incontinência urinaria.

Bebês que estão na posição pélvica (bebês sentados) podem nascer de parto normal?

Diante do caso de um bebê na posição pélvica (sentado), existem algumas alternativas. Primeiro, o médico pode tentar virar o bebê dentro da barriga da mãe. Caso isto não surta efeito, é necessário discutir com o médico se o parto normal pode ser realizado ou não. O parto normal com o bebê sentado só deve ser realizado por uma equipe médica com experiência.

Bebê muito grande pode impedir um parto normal?

Não! Primeiramente é importante deixar claro que “bebê grande demais” só é diagnosticado se o peso é maior ou igual a 4 kg e mesmo assim a cesárea não é indicada. A cesárea só pode acabar sendo indicada nos casos de diabetes materna com estimativa de peso fetal maior do que 4,5 kg.

A falta de dilatação pode impedir um parto normal?

Ao contrário do que muitos acreditam, a “falta de dilatação” não é uma indicação para cesárea. Na verdade, o que acontece na maioria dos casos é que existem mulheres que demoram mais tempo para chegar aos 10 centímetros de dilatação do que outras. E muitos médicos, infelizmente, não querem aguardar este tempo de dilatação para o parto normal e acabam usando a falta de dilatação como uma desculpa para a cesárea.

Precisa fazer episiotomia no parto normal?

A episiotomia é o corte do períneo, a região muscular que fica entre a vagina e o ânus. Ela não deve ser realizada como um procedimento de rotina no parto normal, mas sim, quando realmente houver necessidade. “Primeiramente, porque se você corta a vagina da mulher aumenta a dor. No Brasil o tratamento dado ao períneo é muito agressivo”, constata a médica Carmen Simone Grilo, professora do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

O procedimento ainda aumenta o risco de infecções, hematomas e desconforto durante o sexo. A perda sanguínea é maior quando este corte é feito e, ao contrário do que muitos acreditam, o método não reduz o dano ao períneo, mas sim aumenta.

Caso a episiotomia tenha sido feita sem o consentimento da parturiente ou real necessidade trata-se de uma violência obstétrica. Além disso, a Organização Mundial de Saúde defende que apenas 10% dos partos normais realmente necessitam de episotomia.

Existem outros sinais de violência obstétrica aos quais a mulher deve ficar atenta.

Como se preparar para o parto normal?

Ao longo da gestação você pode se preparar para o parto normal de diversas maneiras. A primeira delas é por meio da informação, procure informar-se sobre este tipo de parto com veículos de comunicação confiáveis e principalmente com profissionais de saúde confiáveis. Além disso, é importante conversar com seu médico sobre o parto normal logo em suas primeiras consultas.

Praticar atividades físicas ao longo da gestação é uma boa forma de se preparar para o parto normal. O ioga é uma excelente alternativa. Você também pode buscar a orientação de uma doula em relação a outras preparações que podem ser feitas.

Assistir a alguns vídeos sobre parto normal também pode te ajudar a se inteirar sobre o assunto.

Conclusão sobre parto normal  

O parto normal proporciona uma série de benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Porém, existem uma série de mitos sobre o assunto que precisam ser desvendando. Esta reportagem buscou esclarecer as principais questões sobre este tipo de parto.

Fontes consultadas:

Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido

Ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, defensor dos conceitos de Parto Humanizado e fundador da Parto Sem Medo

Médica Carmen Simone Grilo, professora do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

Organização Mundial de Saúde

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